Marcador: Orientações contrabaixísticas


A promoção-delícia de aulas de contrabaixo é válida até o dia 31/12/2017, EXCLUSIVAMENTE para os alunos inscritos até maio/ 2017.
Em junho/ 2017, as aulas voltarão ao valor antigo, ok?

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1- Orientações contrabaixísticas – definição breve
2- Ser ou não ser contrabaixista? Eis a questão…
3- Tempo
4- Tempo (continuação)
5- Contrabaixo
6- Relógio contrabaixístico 1
7- Relógio contrabaixístico 2
8- Sobre professor, Escolas e autodidatismo…
9- Sobre professor, Escolas e autodidatismo (continuação)…
10- Sobre professor, Escolas e autodidatismo (final)…
11- Aula particular de contrabaixo ou em escola?
12- Conversando com a preguiça contrabaixística…
13- Sobre a diminuição no ritmo de estudo…
14- Sobre a diminuição do ritmo de estudo (continuação)…
15- Sobre a diminuição do ritmo de estudo (final)…
16- Definindo as funções…
17- Cursos de férias: fazer, não fazer ou o que fazer????
18- Uni- duni- tê contrabaixístico: sobre escolhas difíceis na vida do contrabaixista…
19- O que preciso comprar para começar os estudos?
20- Gastos mensais com o estudo do contrabaixo
21- “Luxos” úteis ou necessários
22- Gastos eventuais com o contrabaixo
23- Escolha do contrabaixo: aspectos importantes
24- Arco…
25- Qual modelito: arco francês ou arco alemão?
26- Sobre os arcos francês e alemão…
27- Dúvidas na escolha do encordoamento correto?
28- Trocando as cordas (continuação)
29- Problemas com a resina?
30- Sobre climas…
31- Espelho, espelho meu…
32- Alongamentos complementares – parte 1
33- Alongamentos complementares – parte 2
34- Sobre cotovelos e tendinites…
35- Postura: uma “elefância” necessária…
36- Ainda sobre LER ou DORT
37- Ainda sobre LER ou DORT… (fim)
38- Causas e defeitos: prevenindo as dores contrabaixísticas…
39- Sobre tamanho de contrabaixos e de dedos
40- Causa e defeitos: prevenindo as dores contrabaixísticas… (continuação)
41- Sobre comprimento dos dedos… (continuação)
42- Sobre comprimento do braço…
43- Sobre a altura do contrabaixo…
44- Solução alternativa para pessoas baixinhas
45- Ponta do metacarpo é a mãe!…
46- Curta e grossa: unha!
47- Curta e grossa: unha! (continuação)
48- Sangue, suor e bolhas…
49- Um “causo” de bolhas…
50- Cuidado com as bolhas assassinas!
51- Calo para sempre
52- A-B-C- Dedilhados: Nós nos dedos!
53- A-B-C- Dedilhados : Meus dedinhos, meus dedinhos, aqui estão…
54- A-B-C- Dedilhados: Sobre extensão e pivô
55- A-B-C- Dedilhados: Sobre os dedos 3 e 4
56- A-B-C- Dedilhados: Dedo 3 (anular): pouco ou muito usado?
57- A-B-C- Dedilhados: Dedilhado 1-2-3-4 no acústico. E aí?
58- Dedilhados contrabaixísticos e divagações de uma contrabaixista…
59- Fortalecimento dos dedos da mão esquerda: Exercícios fora do contrabaixo
60- Fortalecimento dos dedos da mão esquerda para contrabaixista iniciante – parte 1
61- Fortalecimento dos dedos da mão esquerda para contrabaixista iniciante – parte 2
62- Mudança de posição (regiões grave e média)- revisão de dedos, dedilhados e posição.
63- Mudança de posição nas regiões grave e média
64- Como se livrar das posições contrabaixísticas comprometedoras…
65- Fortalecimento dos dedos da mão esquerda: Estudo
66- Fortalecimento dos dedos da mão esquerda: Objetivos e mais variantes
67- Fortalecimento dos dedos da mão esquerda: Exercícios também com o capotasto (polegar)
68- Exercícios para relaxar a mão direita (arco)…
69- Exercícios para a mão direita (arco)… (continuação)
70- Com o “coringa” nas mãos: exercícios para pizzicato ou arco – parte 1
71- Exercício “coringa” (sem acentos, para uniformidade do som) – parte 2
72- Exercício coringa (com acentos, para variação de pressão) – parte 3
73- Família e vizinhos: guia prático de convivência mútua…
74- Contrabaixo, empregadas e crianças: manual de instruções
75- Contrabaixo & carro
76- Como colocar e tirar um contrabaixo do carro – parte 1
77- Como colocar e tirar um contrabaixo do carro – parte 2
78- Contrabaixo & carro – detalhes tão pequenos de nós dois ou três…
79- Contrabaixo & carro – regra importante…
80- Sobre afinação…
81- Sobre afinação: Uma mesma palavra ou expressão para diferentes direções…
82- Sobre afinação e pinguins…
83- Sobre afinação, memória e fosfosol…
84- Suono reale (som real): Existe? É contagioso?
85- Eu acho que vi uma bolinha passar por aqui! (sobre claves e leitura…)
86- Blá-blá-blá sobre a mão direita (arco)…
87- Se meu contrabaixo falasse: aspectos rápidos de interpretação
88- Se meu contrabaixo falasse: aspectos técnicos rápidos de interpretação.
89- Se meu contrabaixo falasse: alguns “clichês” de interpretação…
90- Se meu contrabaixo falasse: interpretação X personalidade
91- Venenos orquestrais breves- afinação
92- Venenos orquestrais breves- 1º contrabaixo
93- Venenos orquestrais breves- músicos e orquestras jovens e os concertos sem cachê
94- Venenos orquestrais breves- sobre concertos sem cachê
95- Venenos orquestrais breves: brigando na mesma estante…
96- Venenos orquestrais breves: ai bota aqui, ai bota aqui a minha estante… junto de mim!…
97- Venenos orquestrais breves: e de triângulo em triângulo se chega a um semicírculo…
98- Agruras contrabaixísticas iniciais
99- Carneirinho, carneirão: vibrato não é recurso de afinação!
100- Sobre professores genéricos de contrabaixo…
101- Fábulas contrabaixísticas: O Contrabaixista e a Galinha Ruiva
102- Cuidadinhos com o seu contrabaixo, com o contrabaixo do seu vizinho, com o contrabaixo do pai de todos…
103- Fábulas contrabaixísticas: o contrabaixista Lebre e o contrabaixista Tartaruga
104- O contrabaixista e o monstro: sobre o uso da força e do peso
105- O trem-fantasma da mudança de posição: aspectos importantes
106- Fábulas contrabaixísticas: A Contrabaixista Adormecida
107- Quando a idade não é documento, mas o sonho contrabaixístico tem limites…
108- O Primo Contrabaixista da Cidade e o Primo Contrabaixista do Campo
109- Você sabe escrever o nome do seu instrumento em Português contrabaixístico?
110- Contrabaixo não vai pro céu: aspectos importantes sobre compra & venda do contrabaixo
111- Consultório contrabaixístico: resina
112- Consultório contrabaixístico: tempo de estudo, escala e notas
113- Carta para um contrabaixista e ex-aluno…
114- Sobre nomenclatura das posições e escolha de dedilhado
115- Consultório contrabaixístico: arco – partes, direção e movimentos
116- Qual é a sua desculpa para não assumir o contrabaixo?
117- Sou canhoto, tia!…
118- As mil e uma noites da mão esquerda
119- Fé na tábua: é hora da cegonha contrabaixística!
120- Geladeira contrabaixística: cordas soltas
121- Geladeira contrabaixística: emoção

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O estudo técnico é sempre importante e essencial, mas não somos maquininhas de tocar notas, especialmente nas músicas que “precisam” de um algo a mais…

Marco “Brody” Delestre, grande contrabaixista da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, se envolve tanto no que toca que, às vezes, não sabe se está tocando com os dedos ou com o coração!

Para ele, todo dia é dia de descobrir algo novo na mesma música, já que nunca contamos a mesma história exatamente do mesmo jeito e, assim como o compositor passou por vários momentos ao escrever sua obra, os intérpretes também passam por vários momentos ao tocá-la, e dão continuidade a ela.

O importante do estudo é a finalidade. Pra que estudamos tanto cordas soltas, escalas, métodos, etc.? Para termos a liberdade de fazer Música pois, segundo Delestre, “se nos concentrarmos apenas nas notas e técnicas perfeitas, em pouco tempo não existirá mais prazer em tocá-las!”.

Delestre cita um dos ensinamentos do lutador Bruce Lee, que dizia: “Eu não me preocupo com quem treina mil chutes diferentes, mas sim com quem treina mil vezes o mesmo chute”.
Com isso, ele aprendeu que, “quando nos dedicamos com o coração, vamos descobrir muito mais coisas, pois aqueles que querem muito de uma só vez nunca terão tempo suficiente para descobrir os mistérios que se escondem por trás da arte que escolhemos, seja ela qual for!”.

E, com essas descobertas, a música se torna intensa (plena) e transborda toda a sua emoção, que é a nossa razão de existir!

Nossos agradecimentos contrabaixísticos ao Marco “Brody” Delestre, que está tocando no vídeo abaixo, e que tem um canal no Youtube muito bonito! clique aqui

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O estudo da corda solta é muito importante não só nos primórdios do estudo individual do contrabaixista, mas sempre!

Ana Valéria Poles, grande contrabaixista paulista, faz em seu estudo diário e com seus alunos o que ela chama de “terapia da corda solta”, que são exercícios variados de cordas soltas, como forma de trabalhar o relaxamento e o peso do braço direito e fazer um “insight”, ao sentir os músculos que estão sendo usados.

Para isso, ela utiliza o método “My Way of Playing Double Bass”, de Ludwig Streicher, vol.1, mas outros métodos também têm estudos em cordas soltas como: o “New Method for String Bass”, de Franz Simandl, vol.1; e o “New Method for Double Bass”, de Isaia Billè, vol.1, entre outros.

Segundo Ana Valéria, como ao estudar nós ficamos muito escravos do visual – olhando o tempo todo pro espelho -, ela sugere que a “terapia da corda solta” seja feita também no escuro, porque aí colocamos o ouvido em ação, e ele é bem mais aguçado do que imaginamos! E, assim, “o estudo se torna quase uma meditação”!…

(Nossos agradecimentos contrabaixísticos à Ana Valéria Poles, que também lançou, em 2016, o seu ótimo Sistema de Arcadas e Golpes de Arco em Escalas e Arpejos para Contrabaixo, que está à venda nas livrarias! É só clicar na imagem!)

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É chegada a hora da cegonha contrabaixística!
O que fazer? Como fazer? Como escolher o seu contrabaixo?

O que indico:

1) Indico somente os contrabaixos que conheço pessoalmente já que, aí, posso dar uma opinião mais concreta e não ficar só em “achimos” e “talvezes”.

Por que só indico isso:

1) Sobre marca X, Y ou Z, não me ligo em marcas ou nomes de fábricas já que, mesmo os instrumentos de uma mesma marca e modelo, podem apresentar diferenças, sem contar que minha memória pra nomes é péssima!;

2) Existe a subjetividade, que precisa ser levada em conta.
Por exemplo: o som de um determinado instrumento nem sempre agrada a todos. E às vezes agrada, mas pode não ser o que o futuro comprador queira ou precise. Pode ter um som lindo e ser um contrabaixo grande demais. Como vou saber disso sem conhecer o contrabaixo e o contrabaixista? Pode ter um som lindo e/ou ser um contrabaixo maravilhoso, mas que precisa de consertos e reparos, que nem sempre são compatíveis com o que o futuro contrabaixista pode gastar. E eu nesse tiroteio? Outras vezes, o contrabaixo tem o som lindo com pizzicato, mas o som fica uma bosta com o arco. Isso pode ser um problema pra mim, mas não sê-lo para outrem, entre muitos outros exemplos.

Importante saber antes de comprar:

1) Para começar os seus estudos de contrabaixo, um futuro aluno precisa de um instrumento tocável. O diferencial pode estar no quanto se pode pagar por ele, ou na sorte de conseguir um instrumento de qualidade superior ao que se pode dispor financeiramente para comprá-lo;

2) Pode ser um contrabaixo ruim? Pode! Pode ser um contrabaixo chinês de compensado? Pode! Nem sempre o futuro contrabaixista pode pagar por um contrabaixo de madeira maciça. Nem sempre ele pode pagar por um de tampo maciço, com fundo e faixas de compensado. “Ah, mas a diferença entre ele e um de compensado é pouca!”. A diferença ser pouca não conta. O que conta é saber se há dinheiro ou condições de bancar por essa diferença. Se há, delícia! Se não há, compensado é o caminho! Pode ter certeza de que muitos contrabaixistas começaram por esse mesmo caminho…;

3) Não invista demais naquilo que você ainda não tem certeza de ser o que realmente você quer. Em tempos de vacas magras, é difícil vender elefante e, quanto mais caro for o seu, maiores serão as chances dele permanecer como objeto decorativo na sua casa;

4) Se você conseguiu um “estrumento” e não um instrumento, parabéns! Pense que você conseguiu o que muitos ainda não conseguiram, e que o som pode ser feio, mas não fede;

5) A gente compra o sonho que a vida permite, mas a gente continua a sonhar toda noite, pra não esquecer que a vida continua, exatamente pra que a gente possa realizar outros sonhos…

6) Os contrabaixos de fábrica e de compensado, embora com preços mais acessíveis, não são todos iguais. Normalmente, os de preço mais elevado costumam ter um acabamento melhor que os de preço bem mais populares, mas isso não impede de comprar um contrabaixo barato que dê perfeitamente para ser usado por dois, três anos ou quatro;

7) Contrabaixo pode ser o seu bem-querer, como é o meu, mas contrabaixo é também um bem financeiro. Comprá-lo e vendê-lo por um preço justo é sempre o melhor caminho para realizar a transação;

8 ) Alguém precisa hoje de um contrabaixo simplesinho, como um dia alguém precisou; alguém pode estar vendendo hoje o seu, assim como um dia esse alguém pode ser você. E a vida contrabaixística segue, sem traumas;

9) Os contrabaixos chineses costumam vir com capa e arco. Quando vendidos por particulares, nem sempre vêm com esses acessórios. É sempre útil se informar sobre isso antes da compra;

10) Às vezes, por um contrabaixo com um preço bem acessível, pode valer a pena uma viagem para alguma outra cidade. Nada como uma aventura emocionante! Só avise a cegonha pra, das próximas vezes, entregar o seu contrabaixo na cidade certa;

11) Sempre que possível, compre contrabaixo de pessoas físicas ou em lojas que você possa escolhê-lo pessoalmente. Evite compras de contrabaixo pela Internet. Em caso de problemas de construção ou de transporte, é necessário saber antes da compra quem bancará o envio do instrumento para devolução ou troca, e que isso esteja por escrito no site. Não se esqueça de fazer print-screen de tudo;

12) Caso seja inevitável a compra pela internet, certifique-se do envio com seguro do contrabaixo, e de que a compra seja feita através de uma firma intermediária, que receberá o seu pagamento, e que só o liberará para o vendedor quando o contrabaixo chegar em perfeitas condições até você, lembrando que é legal a desistência da compra pela Internet em até 07 dias úteis após a chegada da encomenda, mas que isso não te impede da aporrinhação do envio do contrabaixo para o local de origem (rever item 11);

13) De um modo geral, a partir dos 13 anos de idade, dê preferência aos contrabaixos de tamanho ¾. Eles são ergonomicamente menos prejudiciais à saúde do aluno de contrabaixo. O volume de som nem sempre está associado ao seu tamanho, mas sim a sua construção. O tamanho do contrabaixo é medido pelo diapasão (distância entre a pestana e o cavalete). Um contrabaixo ¾ tem entre 106 ou 107cm de diapasão. Na hora de escolher o tamanho do seu contrabaixo, procure se lembrar do velho ditado: “quanto maior o tamanho, maior o tombo”;

14) Todo o contrabaixo comprado deveria passar por um luthier antes da compra e deve passar sempre por um após a compra, para regular (ou trocar) o cavalete e a altura das cordas. Contrabaixo novo de loja, por exemplo, não se toca sem regular o cavalete e, por causa disso, muitas das vezes nem se consegue experimentar direito o lindo na loja. O serviço não é caro, mas deve fazer parte do orçamento reservado para a compra do contrabaixo, junto com o arco – caso ele não venha com o instrumento – e da resina, que não é cara e dura uns quatro anos. Não faça como o povo que dá festa e economiza nos detalhes que depois ainda cagam toda a cerimônia: comprou um contrabaixo, leve-o a um luthier competente;

15) As cordas que vêm nos contrabaixos chineses costumam ser muito ruins. Cuide bem delas usando uma flanela seca após estudar, porque as cordas boas são carésimas, embora possam durar muitos anos;

16) Logicamente que, acompanhado da mão esquerda, o contrabaixo costuma desafinar, mas se ele começar a desafinar muito sozinho, não é carência de estudo, porque quem tem carência de estudo para afinar é o contrabaixista. O contrabaixo pode estar com uma corda candidata a ser afinada um semitom abaixo, ou um dia arrebentará sem te dizer adeus;

17) Quem conserta, regula e faz contrabaixos é o luthier e não o marceneiro da esquina. O marceneiro pode ser lindo, ótimo e maravilhoso, mas contrabaixo não é um móvel – mesmo que haja quem o considere como tal. E que não seja você uma dessas pessoas…

18) Se o contrabaixo for simples, nem sempre vale a pena investir tanto, porque não haverá quem pague esse investimento, quando você precisar vender o contrabaixo;

19) Se o contrabaixo valer a pena o investimento, procure se informar sobre cada coisa a ser feita e o caráter de urgência de cada uma. Pense se você pode pagar por todo esse investimento, se você pode fazer o serviço por partes e/ ou se vale a pena você se endividar por ele. Embora muitas chances sejam únicas, outras virão;

Como escolher o seu contrabaixo:

1) Se possível, com a ajuda de um professor, de um luthier ou de algum contrabaixista (profissional, amador ou estudante mais adiantado);

2) Se isso não for possível, veja se o vendedor parece ser uma pessoa confiável. Sei que confiança a gente não vê pela cara e que, se visse, não haveria tanto trambiqueiro no mundo mas, se você não tem a quem recorrer, o jeito é torcer para que seu sexto sentido seja seu amiguinho e funcione;

3) Caso você opte comprar o contrabaixo numa loja, até mesmo pelas facilidades de parcelamento, examine o instrumento pra ver se não há trincados, rachaduras, partes mal coladas ou mesmo descoladas, se possível em local bem claro ou, no caso das rachaduras e/ou dos descolamentos dentro do instrumento, veja-as contra a luz, através dos “efes” do tampo;

4) Veja se o espigão é móvel. Caso não seja, você ou tocará com ele numa mesma altura sempre, seja ela boa ou ruim pra você, ou você terá que pagar um luthier para trocar o espigão por um que seja regulável;

5) Veja se o espelho (escala) não está empenado usando uma linha, metro ou barbante da ponta de cima (pestana) até a ponta embaixo (cavalete). Braço empenado pode significar problemas, e problemas quase sempre significam dinheiro;

6) Evite contrabaixos com o braço muito largo. Com o braço esquerdo pra baixo, relaxe e sacuda a sua mão esquerda, como se fizesse movimentos de quicar uma bola de ping-pong. Congele o movimento. Suba sem modificar a forma da mão. O braço do contrabaixo não deve ser tão largo, a ponto de você precisar abrir sua mão mais do que pra quicar aquela sua bolinha imaginária;

7) Se o contrabaixo for novo e não der pra experimentá-lo na loja por causa do cavalete novo e sem estar regulado – que deixa as cordas muito altas -, siga as outras dicas, e fé na tábua!;

Fé na tábua e simbora pro mamãe eu vou às compras!
Êta cegonha contrabaixística mais preguiçosa essa que você arranjou, hein?!…

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Após observar contrabaixistas fazendo acrobacias variadas com a mão esquerda em posições, dedilhados e passagens onde não há necessidade de mirabolâncias contrabaixísticas, resolvi escrever sobre a forma da mão esquerda.

De um modo geral, a forma básica da mão esquerda até a primeira metade da corda é uma só, e outra na segunda metade, e só.

Quero dizer com isso que, sendo assim, não existe uma posição de mão esquerda exclusiva para afinar o contrabaixo, nem aquela posição específica da mão esquerda para tocar corda solta, como se o contrabaixista estivesse a se abanar do calor esfalfante do estudo diário, e nem aquele girozinho mimoso de pulso pra mudar de corda, em que o seu pulso vai passear de montanha-russa e não desce mais de lá nem com oferta de cachê artístico.

Manter a forma da mão esquerda objetivando bons resultados inicialmente é um saco, e tira muito daquele “charme” de fazer aqueles arabescos de dança árabe com a mão, e pode até parecer que a vida, na hora de estudar contrabaixo, se tornou algo monótono, repetitivo e meio parado mas, acredite, não é bem isso… Sua vida contrabaixística de tornará muito mais emocionante quando você puder tocar cada vez mais notas, rápidas ou não, de forma precisa e sem esforço.

A cada arabesco bem arabescado e a cada movimento mirabolante, rebolante, girante, estonteante e estabacante da sua mão Scherazade, você está perdendo tempo pra tocar outras notas – especialmente em passagens que exigem velocidade dos dedos e da própria mão -, além de gastar energia com movimentos desnecessários.

A energia tá sobrando? Ótimo! Então está na hora de trabalhar com o peso do braço e do corpo e não com a força das mãos! Mão esquerda com excesso de “coreografia” é sinal de mão frouxa, sem tônus muscular e condicionamento pra se sustentar na corda, entende?

Para isso, comecemos com uma regrita básica para primeira metade da corda: o dedo 2 (dedo médio) faz uma cruz com a corda, e os dedos 3 e 4 (anelar e mínimo) seguem o mesmo modelito de dedo 2. Sabe aquele ditado que diz “manda quem pode e obedece quem tem juízo”? É isso aí: dedo 2 manda e dedos 3 e 4 têm juízo.

Exemplo: na primeira corda (sol), na 1ª posição (lá dedo 1 – si bemol dedo 2 – si bequadro dedo 4): faça a cruz do dedo 2 com a corda. Apóie os dedos 3 e 4 da mesma forma. O dedo 1 fica apontado para cima, mas note que todos os dedos ficam ligeiramente curvados, e nunca retos ou chapados sobre as cordas.

Mas e o antebraço e o cotovelo esquerdos na 1ª posição? Trace uma linha imaginária do seu dedo 2 para a esquerda de seu corpo. Bem, o cotovelo ficará para “baixo” em relação a sua mão e, do cotovelo até o pulso, teremos um ângulo aproximado de 45 graus em relação à cruz que você fez com o dedo 2.

Resumindo: o cotovelo está para “baixo”, mas ele não está deprimido, e não leva o seu dedo em cruz com a corda para o mau caminho. O dedo 2 continua firme, forte, relaxado e sempre perpendicular à corda.

Como você já sabe a regrita básica dos dedos 2, 3 e 4 em cruz com a corda até a primeira metade da corda, depois é só entender que o que muda nas outras posições é o braço como um todo. Sendo assim, a angulação do cotovelo em relação aos dedos vai mudando.

Na hora de tocar corda solta, os dedos levantam para cima e não ficam de ladinho. É até ridículo escrever que os dedos levantam pra cima e abaixam pra baixo, mas é pra ressaltar que os dedos não levantam e nem abaixam para os lados…

E quando você vai mudar de corda… surpresa! Os dedos e a mão esquerda andam junto com o braço, sem vida própria! Eles se movimentam bem pouco, porque o espaço entre as cordas é bem pequeno, e eles também copiam a forma da mão e do braço que você caprichou taaanto pra fazer na corda anterior!… Com isso, não aparece aquele pulso pontudo – o da montanha-russa-, nem o pulso troncho e tímido que quer ficar abaixo do nível do antebraço e/ou da mão.

Importante: lembre-se que o peso do corpo pesa, e que cansa trabalhar com peso no ínicio, mas isso não é justificativa pra não “puxar para trás” o peso da mão e do braço em direção ao cotovelo (diagonal ao corpo). O segredo é estudar de forma gradativa, para adquirir tônus muscular e condicionamento físico aos poucos!

E que sua mão esquerda Scherazade assim o seja não pelo excesso de movimentos desnecessários, mas sim pelas mil e uma noites e dias de músicas bem tocadas e bem vividas!

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(Em resposta e agradecimento à mensagem de Emerson Louro, no Fórum Contrabaixo BR.)

- Tia, quero estudar contrabaixo, mas sou canhoto… E agora?
- Bem, primeiro leia o texto. Depois…

Talvez possa parecer polêmica a minha opinião sobre o assunto, mas sou radical neste quesito.
Penso que o estudo de um instrumento musical é uma questão de aprendizado e de condicionamento.

Quando comecei a estudar contrabaixo, mesmo sendo destra, se meu professor tivesse dito para eu apoiar o contrabaixo no meu lado direito e fazer o dedilhado no braço do instrumento com a mão direita, eu teria feito do mesmo jeito, até porque descobri ser ambidestra muito tempo depois.

Por ser uma coisa nova a ser aprendida, penso que qualquer pessoa possa fazer o mesmo.

O estudo do contrabaixo começa usualmente pela postura no instrumento, passando em seguida para a posição da mão esquerda, em que aluno passa a prender algumas notas com os dedos, com a mão parada numa mesma posição. Para emitir o som das notas, o aluno “belisca” ou “puxa” a corda com um ou dois dedos da mão direita, técnica que denominamos “pizzicato”.

Para prender a corda com a mão esquerda é necessário muito mais pressão do lado esquerdo do corpo do que do lado direito já que, durante algum tempo, o pizzicato da mão direita não deve ser feito com muita pressão, para não formar bolhas nas pontas dos dedos (o uso de mais pressão na mão direita na execução do pizzicato é gradativo, conforme os dedos passem a ter mais resistência às cordas).

Por conta desse “desequilíbrio” entre a pressão da mão esquerda e a pressão da mão direita, penso que deve ser muito mais cômodo para quem é canhoto entender e executar esse procedimento “destro” de ser.

Todos os canhotos que conheci, até hoje, fazem movimentos considerados destros, como escrever e ler da esquerda para a direita e dirigir carro da forma convencional.

Logicamente que, se antes de tocar contrabaixo, você passou anos tocando violão ou outro instrumento de cordas dedilhadas (guitarra, baixo elétrico, cavaquinho ou bandolim) ou de cordas friccionadas (violino, viola, violoncelo) com as mãos invertidas, será bem difícil uma readaptação das mãos no contrabaixo.

Aí, a “culpa” desta dificuldade não estará no contrabaixo, mas sim na forma que você aprendeu o instrumento que o precedeu, seja por autodidatismo, por desconhecimento, por achar que canhotos devem fazer tudo ao contrário, ou pelo que for.
Se você estiver inserido nesse “modelito”, aprender um outro instrumento como destro é algo pra lá de desestimulante e pouco produtivo, mas se você quiser mesmo isso, terá que ter muita concentração nos estudos e foco nos objetivos, certo?

Se já é difícil para muitos destros passar de um contrabaixo elétrico para um contrabaixo acústico – são instrumentos diferentes, certo? -, quiçá passar de canhoto para destro e em instrumentos diferentes…

Se me fosse dada a oportunidade de descrever o que para mim seria um inferno instrumental, garanto que não seria estudar oito horas por dia, ou tocar pizzicato com os dedos com bolhas de sangue estouradas em cada dedo da mão direita. Inferno instrumental, para mim, seria aprender outro instrumento de forma invertida (de canhoto para destro), depois de tocar um outro como canhoto, por tempo suficiente para automatizar os movimentos e ter fluência nele.

Escrevo isso por que, antes de tentar inverter as mãos, é importante frisar a qualidade de tempo que se tem ou teve com o instrumento tocado como canhoto. Uma pessoa que fez somente as primeiras lições, que estude muito pouco o instrumento ou que tenha pouquíssimo contato com ele, talvez ainda consiga inverter as mãos, não sem sacrifício, mas com o sacrifício menor do que quem já o toca há muito mais tempo. Sacrifício mesmo para quem não estuda é passar a estudar.

Agora, reaprender um mesmo instrumento de forma invertida (de canhoto para destro) não deve ser tão difícil quanto aprender outro instrumento de forma invertida.
Para escrever isso, fui pegar o meu contrabaixo com as mãos invertidas (de destro para canhoto). Pode não haver fluência no que faço, pois isso requereria muito estudo, mas não me pareceu ser algo “inaprendível”.

Para quem já toca o contrabaixo elétrico – com fluência – como canhoto, por exemplo, e quer passar para o acústico tocando da mesma forma -sem fazer adaptações de arcadas, por exemplo -, sugiro que siga uma carreira em que só haverá um contrabaixista de acústico no palco (se for o caso), se possível em música popular ou jazz, já que na música erudita dificilmente há somente um contrabaixista no palco, sem contar que é preciso ter experiência em orquestras ou em outras formações, exatamente para crescer profissionalmente, e um contrabaixista canhoto, que toque como canhoto sem nenhuma adaptação, vai “destoar” do conjunto, terá muitas dificuldades de adaptação ou mesmo poderá nunca ser chamado para trabalhos, exatamente por conta dessas “diferenças”.

Logicamente, se você tocar em uma orquestra com um contrabaixo acústico feito exclusivamente para canhotos e inverter as arcadas marcadas pelo seu chefae de naipe, a única diferença “visual” será apoiar o contrabaixo no seu lado direito. Só pense que essa é uma solução digamos “final” já que, antes disso, você terá que ter uma solução para fazer as aulas e para estudar, certo?

Eu não acredito que uma pessoa que nunca tocou um instrumento de cordas na vida possa ter dificuldades para aprender o contrabaixo da forma convencional, somente porque é canhota. Músicos precisam das duas mãos para tocar, e as funções de cada uma delas são fruto de estudo e condicionamento. Nada que não possa ser aprendido da forma convencional.

Inverter as cordas do contrabaixo requer também modificações na estrutura física dele, para sustentar a pressão inversa das cordas sobre o tampo, e limita o uso do instrumento em situações adversas.

Por exemplo: tocamos um instrumento grande, pouco portátil e, muitas das vezes, precisamos tocar no contrabaixo disponível no local, seja ele de colegas ou arranjado pela produção, etc. Isso acontece muito em viagens, já que transportar o contrabaixo exige uma infraestrutura cada vez mais difícil, como cases, negociações com companhias aéreas, especialmente se a viagem não for de ônibus.

As chances de você arranjar um contrabaixo acústico com as cordas invertidas são nulas. Como você vai fazer o show ou o concerto nessa situação? Não vai, não é mesmo?

Pense que em viagens, além de haver grandes chances de não levarem o seu contrabaixo, há chances até maiores do dono do contrabaixo não querer que você inverta as cordas, e chances de você nem chegar a ter tempo de invertê-las, porque isso demora tanto para fazer, quanto para o instrumento se adaptar à mudança, com riscos de som de lata e desafinações de cordas durante a apresentação.

Mas bem antes disso, como você fará para ter aulas? Levará toda semana o seu contrabaixo para a escola ou para a casa do seu professor? Complicado, cansativo e desestimulante.

Então você vai sempre levar o seu próprio contrabaixo para as aulas e/ou para os trabalhos? Ótimo. Só pense que, primeiramente, você precisará de um instrumento feito exclusivamente para você, com estrutura física interna adequada às inversões e não somente com as cordas invertidas.

Caso você pense em ter um contrabaixo em cada lugar – um em casa, um na escola, etc. -, bem, um contrabaixo feito por luthier não é baratinho e, caso você desista de tocar o contrabaixo acústico, pense que vendê-lo talvez seja algo muito complicado, uma missão quase impossível. Você não vai querer que aquele seu contrabaixo canhoto – pelo qual você pagou uma grana – vá servir de enfeite de parede, não é mesmo?

Depois, você precisará de carro ou de verba exclusiva para o táxi, já que precisará levar o seu contrabaixo a todas as aulas (uma ou duas vezes por semana). Quando você tiver ensaios, também precisará levar o lindo. Se os ensaios forem em orquestra sinfônica, lá vai você atrapalhar a hegemonia do conjunto!… Esse deve ser um dos poucos casos em que um elefante incomoda muita gente e um mesmo elefante incomoda muito mais…

Tive um aluno que não queria nada com o estudo do contrabaixo. Provavelmente, estudava música por imposição do pai. Faltou o suficiente para ser reprovado, não tinha contrabaixo em casa e não ia nem estudar no contrabaixo da escola.

Um dia, fui chamada à coordenação para tomar ciência de um documento em que o pai da criatura pedia a aprovação do filho, alegando que ele “sentia dificuldades em acompanhar as aulas, por ser canhoto e as cordas do instrumento não estarem invertidas”.

Respondi que, numa escola de música era impossível ter um contrabaixo exclusivo à disposição de um aluno, assim como era impossível inverter as cordas do instrumento a cada início e fim de aula do menino.

Aleguei também que o aluno sequer estava fazendo uso da mão direita com o arco, já que ele ainda estava estudando somente o dedilhado inicial da mão esquerda (exatamente a mão que os canhotos têm mais controle) com pizzicato na mão direita. Perguntei se para aprender a dirigir ele tiraria carteira de habilitação na Inglaterra.

Mesmo assim, fui “aconselhada” pela coordenação da escola a aprovar o monstrinho, para “evitar problemas”…

Não conheço, mas deve existir quem tenha solucionado o impasse de ser canhoto sem inverter as cordas, somente apoiando o contrabaixo do lado direito. Com isso, o dedilhado no braço do instrumento passa a ser feito com a mão direita e o arco e/ou pizzicato passam a ser tocados com a mão esquerda.

Se esta for a sua opção, ela criará alguns empecilhos se você tiver sonhos de ser um contrabaixista de orquestra ou de banda sinfônica, conjuntos que precisam de mais de um contrabaixista fazendo o mesmo tipo de movimento com o arco, e que primam por um “equilíbrio” auditivo e visual.

Assim – sem adaptação da escrita das arcadas – provavelmente, você terá que se sentar sozinho e na última estante, para haver mais espaço para a sua performance e para a performance dos outros, já que não haverá nenhum contrabaixista destro do seu lado direito, e você não ficará no lado esquerdo de ninguém.

Na orquestra, a direção do arco – se para a direita ou para esquerda – é marcada na partitura pelo chefe de naipe. Como você estará na estante sozinho, precisará marcar sempre as arcadas invertidas: senão, quando todos estiverem com o arco na mão direita, caminhando para a direita, do talão para a ponta, você estará com o arco na mão esquerda, caminhando com o arco para a esquerda e, mesmo que para você ele esteja sendo também tocado do talão para ponta, para quem assiste você estará tocando da ponta para o talão. Visualmente, isso daria a impressão de que os arcos do naipe estariam vivendo uma relação conturbada, com muito beijo, trombada e brigas, em que cada um vai dormir de cara virada para o outro…

Lembrei agora que, com aquela opção de cordas invertidas, você poderá também apresentar outras diferenças “estéticas” em conjuntos de contrabaixistas: quando houver passagens tocadas em uma só corda ou com movimentos ascendentes ou descendentes, enquanto todos os colegas estiverem numa corda aguda você, supostamente, estaria fazendo o mesmo desenho numa corda grave. Enquanto todos estiverem fazendo uma escala ou trecho musical com desenho ascendente da corda mais grave para a mais aguda, visualmente você estará fazendo o desenho da corda mais aguda para a mais grave.

Outra questão, frequentemente problemática dentro de uma orquestra, é a área necessária para que o contrabaixista toque sem esbarrar nos próprios colegas do naipe, assim como nos de outros instrumentos. Um contrabaixista canhoto, que tocasse somente invertendo o lado em que apoia o contrabaixo, necessitaria de uma área maior para tocar, já que seu arco caminharia em direção oposta ao dos colegas do naipe. Como isso dificilmente aconteceria dentro de uma orquestra, o contrabaixista teria que inverter todas as arcadas, para sempre tocar com o arco na mesma direção dos demais contrabaixistas. Desnecessário escrever que precisaria haver uma partitura exclusiva para o contrabaixista canhoto, pois quem se habilitaria a ler numa parte com as arcadas copiadas todas ao contrário?

No mais, volto a dar a minha opinião sobre este assunto: usamos as duas mãos fazendo movimentos distintos para tocar instrumentos de cordas. A divisão das funções das mãos no contrabaixo é uma convenção e, como tal, é para ser aprendida e treinada, independentemente se você é destro, canhoto ou ambidestro.

Essa convenção de tocar instrumentos de cordas (alaúdes, violas da gamba, etc.) com a mão esquerda fazendo a posição das notas no braço do instrumento, e com a mão direita dedilhando as cordas e/ou passando o arco nelas foi criada e desenvolvida através dos séculos, muito antes do desenvolvimento e propagação da leitura e da escrita, da descoberta das diferenças de utilização das mãos nas pessoas, e da descoberta das diferentes regiões do cérebro utilizadas para cada uma, assim como foi desenvolvida muito antes do extinto preconceito contra os canhotos, que por muito tempo existiu.

Acho que dá muito mais trabalho ser um canhoto “autêntico” do que tocar contrabaixo da forma convencional. Acabo de fazer um teste: pegue um caderno, e escreva com a mão esquerda, começando no fim da linha, da direita para a esquerda. Sairá assim: “oirártnoc oa odut revercse euq met êcoV”.

Eu me saí bem, mas acredito que você também se sairá muito melhor tocando contrabaixo!”

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Transporte

O contrabaixo é menos prático de transportar que o violoncelo, mas a gente se acostuma com o próprio trambolho, e bem mais rápido do que se imagina.

Não conheço nenhum contrabaixista que tenha virado violoncelista por esse motivo, e acho “injusto” você nem ser violoncelista e já estar pensando em usar esse argumento ridículo do transporte para não ser contrabaixista…
Não é você mesmo quem diz ser apaixonado pelo som grave do contrabaixo?
E na hora do vamos ver, escolhe outro instrumento?

O primeiro passo é assumir os sonhos. Se você não os assume, com todos os defeitos, ficará difícil suportar os percalços da escolha, e isso vale para qualquer coisa que você queira fazer na vida.
Se não, fica parecendo aquele cara fissurado numa moça gordinha, mas que acabou ficando noivo de uma moça magérrima, por se sentir incapaz de levar a gordinha no colo na noite de núpcias e ter medo do vexame…

O contrabaixo pode ser levado em qualquer carro. É só uma questão de treino, especialmente para os instrumentos de tamanho 4/4 ou mais bojudos.
Em algumas cidades, é possível levá-lo para passear de metrô e trem, embora exista quem o leve de bicicleta e até de patins…

Existem também contrabaixos menores, e até com o braço desmontável!
Para as aulas, particulares ou em escolas, não se leva contrabaixo.
Só haverá necessidade de levá-lo para tocar em casamentos, shows e em ensaios e concertos de orquestras que não têm contrabaixo à disposição.

Se num carro desse tamanhinho essa contrabaixista desse vídeo conseguiu colocar tranquilamente o seu instrumento, por que você acha que não vai conseguir colocar o seu num carro maior?

Preços (2013)

As desculpas de falta de grana são as mais variadas, mas, com um pouco de coragem e planejamento, podem ser resolvidas por partes.

Contrabaixo

Para começar, um contrabaixo chinês bem simples, todo de compensado, deve estar na faixa de 2.500 reais, e costuma cumprir perfeitamente a sua função.
Um contrabaixo bem melhorzinho, com o tampo em madeira maciça, deve estar na faixa de 5 a 7 mil reais.

Não há necessidade de esperar pelo instrumento da sua vida, porque isso termina sendo mais uma desculpa para protelar o início dos estudos.
E há uma vantagem: se você cuidar do seu contrabaixo direitinho, ele durará a sua e outras vidas inteiras. E o que são alguns mil reais por tantas vidas, não é mesmo?

Agora, o contrabaixo precisará de uma regulagem básica feita por um luthier, pode precisar de cordas novas e, caso necessário, de arco, resina, banco, espelho…

http://www.voilamarques.com/2012/03/109-contrabaixo-nao-vai-pro-ceu-aspectos-importantes-sobre-compra-venda-de-contrabaixo/

Arco

Os contrabaixos costumam vir com o arco e capa. Escolha o arco que você vai estudar (modelo francês ou alemão) antes de comprá-lo. Procure se informar previamente sobre isso com o seu futuro professor, para não ficar com a varetinha do elefante branco em casa, caso você compre o arco errado e não consiga vendê-lo.

Um arco novo para contrabaixistas iniciantes, de madeira, está na faixa de 600 a 1000 reais.
Um arco novo para contrabaixistas iniciantes, de fibra de carbono, está na faixa de 400 a 800 reais.
Os arcos usados, embora raros, podem ser encontrados a partir de 200 ou 300 reais.

A manutenção do arco é limpar, afrouxar a crina após o uso e trocá-la sempre que a crina começar a não responder aos insistentes pedidos de resina. Crina surda e resina chata acabam com a paciência de qualquer contrabaixista. A troca da crina pode ser feita de três em três anos ou mais.

http://www.voilamarques.com/2011/05/25-qual-modelito-arco-frances-ou-arco-alemao/

Cordas

As cordas boas são caras, mas duram bem mais. Pense que é melhor gastar por volta de 500 ou 600 reais num encordoamento de qualidade que dure, do que 300 em um encordoamento que durará um ano ou dois já na prorrogação.

Corda velha e/ou de baixa qualidade costuma apresentar problemas na sustentação da afinação. E na hora de te classificarem como um contrabaixista com problemas de afinação, você pode ter certeza de que não estarão pensando que as suas cordas são de péssima qualidade e nem nos seus problemas financeiros para comprar um encordoamento melhor. Você é como se apresenta.

Ah, e um encordoamento de contrabaixo bom, custa mais que um encordoamento de violino bom, porém dura bem mais que ele, por exemplo. Existe alguma espécie de justiça divina no mundo sonoro…
Um bom encordoamento de contrabaixo, dependendo do uso, pode durar de dois a seis anos ou mais.

Resina

Arco sem resina não tem som, já que cabelo de cavalo (crina) precisa de “cola” para tirar som da corda. Uma boa resina dura, no mínimo dois anos mas, normalmente, dura bem mais do que isso. Resina ruim dura menos, por que é preciso passar mais resina no arco. As resinas muito secas e farinhentas são as piores, e se elas derem em cima daquelas crinas surdas que escrevi, a saliência pode acabar em notas ou meio mudas ou meio fanhas.

Uma boa resina custa aproximadamente 16 dólares (40 reais), mais o frete.

Banco

Um banco de madeira, entre 60 e 70 cm de altura, é o ideal. Um banco de madeira, em São Paulo, está a 57 reais, mais o frete:

Se o seu professor não utilizar banco, você não precisa se preocupar em usar essa desculpa para não assumir o contrabaixo.
Uma curiosidade: a maioria dos contrabaixistas que tocam em pé – em casa ou na escola -, costumam ensaiar sentados na orquestra.

Espelho

Um acessório mais que útil, para mostrar a quantas anda o nosso corpo e para onde está indo o arco quando tocamos, etc.
Um espelho simples (90x40x1cm) está em promoção numa loja, por 43 reais, mais o frete.
Um espelho com tamanho melhor (98x48x4), nessa na mesma loja, está por 70 reais. É só dar uma procuradinha pelas lojas ou na internet.

O espelho pode não ser um dos primeiros itens no índice dos artigos imprescindíveis, mas é imprescindível para quem quer aprender mais rápido e tocar bem o instrumento.

Regulagem

A regulagem básica de um contrabaixo é feita por um luthier e, normalmente, significa o ajuste e assentamento do cavalete e o assentamento das cordas.
Esse serviço está por aproximadamente 250 reais, podendo ser menos ou mais, mas é importante frisar que depende de cada caso.
Um cavalete mal assentado pode deixar as cordas altas demais ou baixas demais, pode deixar o instrumento com pouco som ou ficar mal alinhado com as cordas.
A regulagem básica só é dispensável quando o contrabaixo que se comprou foi regulado recentemente e não apresenta problemas de altura das cordas ou de som.

Espaço para colocar o contrabaixo em casa

De preferência, coloque o lindo numa quina de parede sem infiltrações. Coloque-o de castigo em pé, com o cavalete virado pra parede. De uma lateral a outra (ombros do contrabaixo), haverá aproximadamente 75 cm e, numa linha reta da quina da parede até a parte do instrumento que fica mais para fora (bojo) haverá aproximadamente 55 cm.
Será que é muito difícil achar esse espaço na sua casa, a ponto de você desistir da ideia do contrabaixo por causa disso?

Espaço para estudar em casa

Sobre a falta de espaço, gostaria de contar para você como era o meu espaço quando comecei a estudar contrabaixo em casa já que, durante um ano, por não ter contrabaixo, eu ia estudar no contrabaixo da universidade…
Depois que consegui alugar um, passei a estudar em casa,  onde estudava na sala ou no meu quarto sendo que, nele, só cabiam a cama e o armário.
Para estudar lá, eu colocava, em cima da cama, um banco qualquer deitado com um almofadão por cima – eu ainda não tinha banco de contrabaixo -, e fechava a porta com chave, para evitar uma trauletada no contrabaixo caso alguém tivesse a infeliz ideia de entrar.
Na sala, eu estudava contrabaixo no meio da confusão de uma família com cinco pessoas e um cachorro, onde fiz o meu primeiro estágio de concentração que, algum tempo depois, passei a aprimorar nas orquestras da vida.
E, inicialmente, eu ainda sentava no corrimão da escada para estudar…

Hoje, qualquer faltazinha de contrabaixo, de espaço e/ou qualquer movimentação doméstica são motivos para a pessoa desistir até de tentar ser contrabaixista…

Parafraseando da música “Pra não dizer que não falei da flores”, do Geraldo Vandré, “quem sabe faz o espaço, não espera acontecer”, porque se você esperar que ele aconteça…
Sinceramente, penso que o maior problema para estudar contrabaixo não é o espaço externo, mas sim o interno, aquele que demanda disciplina, concentração, organização do tempo, paciência…

Tamanho do contrabaixo

Existem vários tamanhos, mas o 3/4 é o mais indicado para adultos, por ter as posições mais cômodas, ou seja, que necessitam de uma menor abertura dos dedos.
Aberturas muito grandes, como as que exigem os contrabaixos grandes, podem ser catastróficas para a saúde do contrabaixista a longo prazo, especialmente para os mais tensos e/ou sem um bom professor e/ou com dedos curtos e/ou com pouca flexibilidade entre os dedos..

É um engano comum aos leigos o de escolher o 4/4, por achar que ele tem mais som. Isso depende de cada instrumento. Tenho visto que o contrabaixo “preferido” dos contrabaixistas profissionais é o 3/4.

A escolha do 4/4 só é tolerável para aqueles que ainda não sabem sobre os possíveis danos causados por contrabaixos muito grandes ou para aqueles que não têm outra opção de compra.
Nesse caso, o jeito é torcer para que, se possível, essa opção não seja eterna e dure pouco, exceção feita aos contrabaixistas muito altos e fortes, desde que sejam relaxados ao tocar, que tenham um bom professor, flexibilidade entre os dedos e dedos não curtos.

O contrabaixo não usa força para ser tocado, mas parto do princípio que pessoas fortes tenham uma boa estrutura muscular e, consequentemente, uma boa proteção das articulações.

Tem gente que, mesmo depois de saber dos possíveis danos causados ao longo dos tempos e/ou dos “pré-requisitos” para tocar em um 4/4, insiste em comprar um 4/4, como se o 3/4 fosse um violoncelo.
O 3/4 é um tamanho para adultos e é um contrabaixo, não um violoncelo.
Portanto, ele é grande, é bem visível a olho nu e tem som grave, bonito e encorpado. Logicamente, a qualidade sonora varia de contrabaixo para contrabaixo e depende das exigências do contrabaixista.

Dedos curtos

Dedos curtos só são problema quando acompanhados de contrabaixo muito grande e/ou de mente pequena… Cuidado com as más companhias, já devia dizer a sua mãe. Siga o conselho da mamãe mais uma vez!…

As soluções alternativas para contrabaixo grande são contrabaixos menores, pestanas (madeirinha colocada no início do espelho, que diminui o tamanho das posições), aprender a tocar de forma mais relaxada, etc.
Junto com isso e, além disso, leitura e informação são sempre bem-vindas.

Aprendizado

O aprendizado do contrabaixo é totalmente subjetivo.
Conheci pessoas com uma facilidade impressionante e pessoas com uma dificuldade também impressionante.

O contrabaixo é bem menos demorado de aprender do que aprender violino da forma tradicional, em que o aluno passa mais de ano só puxando corda solta, por exemplo.
E devemos isso à idade mais avançada em que os alunos de contrabaixo começam a aprendê-lo aqui no Brasil (entre 13 e 17 anos ou mais tarde).
Já a idade para começar a estudar violino é bem mais cedo (6 anos, aproximadamente).

Por começarem bem mais tarde, os contrabaixistas têm menos tempo e menos paciência para esperar pelos resultados do estudo.
Se fosse adotado o ensino tradicional do violino adaptado ao contrabaixo, mais de 80% dos alunos já teriam desistido do contrabaixo.
Mesmo acelerando as etapas do aprendizado, talvez até por uma questão de sobrevivência instrumental, ainda assim o investimento de tempo é longo, como em quase todos os instrumentos.

Não sei se isso servirá como parâmetro, mas, passar para contrabaixista de uma boa orquestra profissional brasileira, isso deve levar entre 6 e 8 anos de estudo, no mínimo, e com raríssimas exceções em menos tempo.

Traste

Não dá para tocar porque não tem traste?
E você vai querer viver o resto da sua vida com notas engaioladas, só por que não tem coragem de dar liberdade para a sua mão esquerda viver perigosamente?
Sim, o contrabaixo acústico não tem trastes, que são aquelas divisões – que separam as casas do instrumento – usadas no violão e no contrabaixo elétrico.

O contrabaixo é um instrumento não temperado, ou seja, nele as notas não estão prontas, como ao tocar as teclas de um piano (instrumento temperado).

O contrabaixo necessita que as notas sejam “achadas”, mas o estudo para isso é gradativo o suficiente para o aluno ir pela estrada afora – inicialmente bem curta – e não dar de cara com o lobo mau.
E se, eventualmente, você der de cara com o lobo mau da nota errada ou da desafinação, pense que a perfeição não existe, e que essa sua desculpa esfarrapada já foi comida por ele há muito tempo!…

Contrabaixo não é violoncelo

Essa aqui é uma informação, para você não dizer que queria mesmo era estudar violoncelo. Vendo esses vídeos, você nunca mais fará confusão entre violoncelo e contrabaixo:

Contrabaixo acústico não é contrabaixo elétrico

http://pablopilizardo.com.br(foto retirada do blog http://pablopilizardo.blogspot.com.br)

Essa aqui é só mais uma informação, para que você não use a desculpa de que contrabaixo é tudo igual, tanto para não estudar o acústico, quanto para estudá-lo em cima da hora dos concursos…

Os dois são contrabaixo, têm nome igual, mas têm forma de tocar completamente diferente, emissão de som diferente, formato diferente, etc.

Perdi a conta de contrabaixistas de elétrico que ligavam para ter aulas de acústico para concursos de bandas militares:
- Você toca ou já tocou o acústico?
- Não, professora.
- E quando é a prova?
- Daqui a três semanas.
- Infelizmente, só se eu fizer um curso de realização de milagres antes, e aí vamos ter menos tempo ainda…

Não perca tempo entrando num concurso sem conhecer bem o instrumento, até por que a concorrência está enorme e o concurso terá muitos contrabaixistas de acústico de verdade – alguns ou muitos tocando bem -, sem contar no dinheiro da inscrição que vai para o lixo…

Conclusão:

São tantas dúvidas, perguntas e empecilhos…
Sempre haverá alguma coisa ou pessoa para atrapalhar o caminho do contrabaixo: a mãe que nunca ouviu, mas que não gosta do contrabaixo; o pai que prefere Medicina à Música; a avó que reclama do espaço que o contrabaixo toma em casa, mesmo sendo tão pouco; o namorado que detestará todos os seus “colegos contrabaixistos” e que terá calafrios só de pensar nas suas mãos de lixa, enfim…
Pode ser que quem mais esteja atrapalhando o seu caminho seja você mesmo, que não tem coragem de assumir as coisas…

Sugiro que você perca o medo e comece a estudar o contrabaixo.
Se não for isso, o tempo irá dizer, desde que você seja mais complacente com ele, mesmo que ele não seja tão complacente com você…

O sucesso da jornada não depende somente de dedicação, mas também de talento, criatividade, boa orientação, sonhos e cobranças compatíveis com os seus objetivos de vida, e de amor, pois é ele que faz o contrabaixo valer a pena para nós mesmos, já que – como diz a música do Kid Abelha – “os outros são os outros, e só”…

Abraços contrabaixísticos da Voila

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Pergunta de Paulo Seixas, ao canal do Blog da Voila Marques, no Youtube: “(…) Gostaria que você me tirasse uma dúvida, poderia postar um vídeo mais específico dos movimentos de arco abaixo? Estou estudando um método específico muito interessante, vou lhe exemplificar o que nele tem abaixo:

G= Arco inteiro
H= Meio arco
1/3 B= Um terço do arco
u.H= Metade inferior do arco
O.H= Metade superior do arco
Fr. Frog end of bow (fim de sapo de arco)
M=Meio arco
Sp= No ponto
M*= Na parte superior ou inferior da curva”

Paulo, infelizmente, estou temporariamente sem poder postar vídeo, mas assim que possível o farei, ok?
Enquanto isso não acontece, vou deixar por escrito a explicação…

Primeiro, é preciso conhecer quais são as partes do arco, a direção do arco e os movimentos com o arco, entender todo o “processo” e praticá-lo nos estudos. Pode ser que demore um pouco até você “automatizar” os movimentos, mas disciplina, paciência e pequenas noções de matemática e física fazem o resultado aparecer mais rápido nos estudos e nas músicas.

PARTES DO ARCO:

Talão (frog): parte inferior do arco, onde fica a mão direita do contrabaixista, à direita dele:

Ponta: parte superior do arco, onde fica a ponteira (aquele biquinho de osso), à esquerda dele:

Meio do arco: é exatamente a metade do arco. Se o arco medir do parafuso do talão (ponta inferior) até a ponteira (ponta superior) 72 cm, o meio do arco será em 36 cm:

 DIREÇÃO DO ARCO:

Arco para baixo: é quando o movimento que vai para a direita do contrabaixista (para a esquerda do arco), do talão para a ponta, e é representado por um quadrado sem o risco de baixo:

Arco para cima: é quando o movimento vai para a esquerda do contrabaixista (para a direita do arco), da ponta para o talão, e é representado por um V:

MOVIMENTOS COM O ARCO:

Arco inteiro: é o movimento do arco feito do talão até a ponta (arco para baixo), ou da ponta até o talão (arco para cima), usando todo o arco para a execução da nota ou do grupo de notas (quando há ligaduras, etc.). Para esse movimento pode-se dizer “arco inteiro” ou “do talão até a ponta”:

Meio do arco: é o movimento do arco feito usando somente metade do arco, no meio dele. Para isso, é necessário descartar ¼ de arco de cada uma das extremidades (inferior e superior), e tocar usando somente a metade restante, no meio do arco. O meio do arco pode ser feito em direção à ponta (arco para baixo) ou em direção ao talão (arco para cima). Para entender melhor a quantidade de arco utilizada, divida imaginariamente o arco em quatro partes iguais. Não toque no primeiro quarto e nem no último: somente nos dois quartos do meio:

Metade inferior do arco: é quando o movimento do arco parte do talão, em direção ao meio do arco (arco para baixo), ou do meio do arco, em direção ao talão (arco para cima);

Metade superior do arco: é quando o movimento do arco parte do meio do arco, em direção à ponta (arco para baixo), ou da ponta, em direção ao meio do arco (arco para cima):

Talão: quando se diz “tocar no talão”, o movimento é feito na oitava ou no quarto inferior do arco, começando no talão até uns quatro dedos depois dele, no máximo (arco para baixo), ou desses quatro dedos após o talão em direção ao talão (arco para cima):

Ponta: quando se diz “tocar na ponta”, o movimento é feito na oitava ou no quarto superior do arco, começando até uns quatro dedos antes da ponta, no máximo, em direção à ponta (arco para baixo), ou da ponta até esses quatro dedos depois dela (arco para cima):

Terço do arco: é o movimento do arco feito usando somente um terço do arco. Para isso, é necessário dividir o arco em três partes iguais. Com isso haverá três terços: o inferior, feito no terço mais próximo ao talão; o terço do meio, quando se elimina o som dos terços inferior e superior, e toca-se somente com o terço que sobrou; e o terço superior, feito no terço mais próximo à ponta. Todos esses movimentos podem ser feitos com o arco para baixo ou para cima.

Nunca ouvi os termos “na parte superior ou inferior da curva”. Acredito que o autor tenha tido a intenção de definir os movimentos feitos a partir ou até a curva do arco (meio do arco). Com isso, teremos o movimento do meio para a ponta (parte superior), e do meio para o talão (parte inferior). Para fazê-los, é só reler “metade inferior do arco” e “metade superior do arco”.

Para complementar os seus estudos, sugiro que dê uma olhada nesse artigo da Sônia Ray e do Fausto Borém:

Bow Placement on the Double Bass: a Notational Proposal of Bow Regions and String Contact Points

Os desenhos do texto foram tirados desse link, que também vale a pena dar uma “zoiadinha”:
http://www.wps.pwp.blueyonder.co.uk/Elements_of_good_violin_technique.htm

Espero ter ajudado.
Boa sorte contrabaixística procê!
Voila

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“Gostaria de saber qual elemento classifica uma “posição” como sendo “meia” ou “intermediária”, e qual seria a função didática disso, ou seja, a intenção de alguns autores de método?”
Perguntas feitas para o Blog da Voila Marques, por Marcos.

Marcos, para responder a sua pergunta, preciso abordar outros assuntos também, certo?
Para começar, vamos definir os dedos da mão esquerda:

Dedo 1: dedo indicador
Dedo 2: dedo médio
Dedo 3: dedo anular
Dedo 4: dedo mínimo

A nomenclatura das posições que utilizo sempre tem uma posição “inteira” quando o dedo 4 toca uma nota da escala de Dó Maior na corda sol.
Tomando como referência a corda sol, esta nomenclatura vai até o dedo 4 no fá sustenido (mi 1 – fá 2 – fá sustenido ou sol bemol 4) e continua com as três posições de dedilhado 1-2-3, terminando na sétima posição (sol – sol sustenido ou lá bemol – lá).

“Resumindo”, na corda sol:
Na primeira posição, o dedo 4 estará no si.
Na segunda posição, o dedo 4 estará no .
Na terceira posição, o dedo 4 estará no .

Antes da primeira posição, há a meia posição (sol sustenido ou lá bemol 1 – lá 2 – si bemol ou lá sustenido 4.
Repare que, aí, o dedo 4 não está em uma nota da escala de Dó Maior (dó – ré – mi – fá – sol – lá – si).

Mas entre a segunda posição e a terceira tem uma posição (si 1- do 2 – dó sustenido ou ré bemol 4), em que o dedo 4 também não está em cima de uma nota da escala de Dó Maior, certo?
Então você terá mais uma meia – alguma coisa – posição, no caso, segunda meia posição.

Aí, virá a terceira posição (dó 1 – dó sustenido ou ré bemol 2 – ré 4).
Depois, você terá a terceira meia posição (dó sustenido ou ré bemol 1 – ré 2 – ré sustenido ou mi bemol 4).
E por aí vai.

Essa é uma das formas de nomear as posições, já que existem outras.
Alguns métodos, por exemplo, nomeiam cada posição com uma numeração inteira, sendo que a única “meia” é a meia posição (sol sustenido ou lá bemol 1 – lá 2 – si bemol ou lá sustenido 4).

Mas qual a função de nomear as posições?
Bem, acho que é para chamar as lindas pelo nome e definir as notas feitas com dedilhados pré-determinados, sem mudança de posição.

Mas, como a posição é um conjunto de notas feitas com a mão parada (sem fazer mudança de posição) em todas as cordas do instrumento, vale lembrar que, chamou por uma posição, várias notas atendem o chamado.

Nos dedilhados 1-2-4 ou 1-3-4, o conjunto de notas de uma posição pode ser de doze notas (contrabaixo de quatro cordas) ou de quinze notas (contrabaixo de cinco cordas) o que, por si só, já pode ser caracterizado como formação de quadrilha. Saber o nome de cada mafiosa e o seu esconderijo secreto pode ser o segredo do sucesso nas horas de desespero…

O contrabaixo costuma ser afinado assim: sol (1ª corda, a mais aguda) – ré (2ª corda) – lá (3ª corda) e mi (4ª corda, a mais grave). Se houver uma 5ª corda, ela será a si, mais grave que a corda mi. Essa é a afinação chamada orquestral.

Sendo assim, na primeira posição, teremos as notas:
4ª corda (mi): fá sustenido (ou sol bemol) 1- sol 2 –sol sustenido (ou lá bemol) 4;
3ª corda (lá): si 1 – dó 2 – dó sustenido (ou ré bemol) 4;
2ª corda (ré): mi 1 – fá 2 – fá sustenido (ou sol bemol) 4;
1ª corda (sol): lá 1 – lá sustenido (ou si bemol) 2 – si 4.

Ao fazer uma posição com os dedilhados 1-2-4 ou 1-3-4 (onde estiver escrito dedo 2, substitua pelo dedo 3), a nota mais grave dessa posição será feita com o dedo 1, e a mais aguda será feita com o dedo 4.
A nota mais grave da primeira posição é o fá sustenido da corda mi, e a mais aguda é o si da corda sol.

Posição, são essas notas, acompanhadas das notas dos outros dedos na mesma corda, e do “recheio” das notas que ficam nas cordas paralelas, sem mexer a mão nem prá trás, nem prá frente, já que essa “mexida”, quando feita para trocar de nota, é o que chamamos de mudança de posição. E se mudou de posição, logicamente, não está mais na mesma posição.

Para facilitar um pouco a compreensão disso, imagine um edifício com vários andares e quatro apartamentos por andar. Em cada apartamento moram três pessoas.
Posição parada é quando os três moradores de cada apartamento visitam os seus vizinhos de andar.
Mudança de posição é quando esses moradores pegam o elevador para visitar outros vizinhos, para ir ao play, sair do edifício, etc.

Repare que, na primeira posição, o fá sustenido existe tanto na corda mi, quanto na corda ré, e que o si existe tanto na corda lá, quanto na corda sol.
A diferença entre as notas com mesmo nome será de altura: um intervalo de uma oitava, ou seja, oito notas de diferença da primeira até a última nota (por exemplo: de um si para outro si temos: si –dó- ré – mi – fá –sol – lá – si). O fá sustenido da corda mi é mais grave que o da corda ré, assim como o si da corda lá é mais grave que o si da corda sol.

E aí vai a primeira observação – um tico óbvia, mas nem por isso menos importante: não existe nota completamente igual em uma mesma posição; ou ela vai mudar de nome (mesmo que o som seja o mesmo, como é o caso da enarmonia) ou mudará de altura (mesmo que o nome seja igual, sendo que uma nota de mesmo nome ficará mais aguda ou grave que a nota homônima).
Em uma posição, cada dedo é responsável por quatro notas distintas, uma para cada corda. Se o contrabaixo tiver cinco cordas, cada dedo é responsável por cinco notas, uma para cada corda.

A segunda observação, outro tico óbvia, é de que as notas de uma mesma posição são sempre tocadas com um dedo específico.
Por exemplo, na primeira posição, a nota dó (feita na corda lá) é sempre tocada com o dedo 2. Toda vez que você tocá-la com outro dedo, pode ter certeza de que não estará na primeira posição. Se você insistir que está na primeira posição, pode acionar o seu plano de resgate para músicos perdidos…

A terceira observação – mais que prá lá de óbvia – é de que, em uma mesma posição, as notas com o mesmo nome – por não serem da mesma altura (uma é mais grave e a outra é mais aguda) -, também nunca serão tocadas com o mesmo dedo.

Quando se estuda um método, normalmente o dedilhado já vem marcado e os métodos tradicionais de técnica (Simandl, Billé, etc.) costumam vir divididos por posições.

Muitas vezes, a posição não vem especificada no trecho musical, mas o dedilhado em cima da nota, e o número da corda embaixo (em algarismo romano: I – corda sol; II – corda ré; III – corda lá e IV – corda mi) sim, e funcionam como um GPS contrabaixístico, lembrando que é necessário um período de adaptação, para não surtar ao ler as bolinhas e o ritmo na partitura, e ainda ver se as notas têm antenas numéricas em cima e embaixo…

Nos métodos, encontramos a posição a ser estudada com as suas respectivas notas especificadas com os nomes mais “usuais” (sol, lá, si bemol, etc.) e/ou em notas enarmônicas (fá = mi sustenido; lá dobrado bemol = sol, etc.), pois essas notas também existem e precisam ser treinadas.
Por exemplo: na partitura tem um sol escrito e, de repente, aparece um fá dobrado sustenido e, logo em seguida, surge um lá dobrado bemol. Só olhos e mão adestrados continuarão na mesma nota e, mesmo assim, só se bem acompanhados de espírito elevado para não xingar a mãe do compositor e, no caso de concurso, do filho da mãe que escolheu aquela m de partitura… Mas se o contrabaixista não sabe sequer que existe esse tipo de nota, ele também não terá “autonomia” cultural para reclamar de nada. Até prá falar mal a gente tem que ter conteúdo…

Os métodos costumam ter estudos escritos na mesma posição que está sendo estudada, com escalas e arpejos das tonalidades que podem ser encontradas em cada posição estudada.
Neles, além do dedilhado escrito e, também da indicação da posição estudada (primeira posição, terceira posição, etc.) no “capítulo”, o professor de contrabaixo costuma anotar o dedilhado que se fizer necessário, ou mesmo modificar o que está sendo pedido.

Lembrando que não se anota posição: anota-se o dedilhado (número do dedo) e/ou o número da corda, e no dedilhado já está subentendida a posição que a nota a ser tocada está.
Não há necessidade de anotar tudo que é dedilhado, corda, etc, porque isso suja a partitura e vicia a ler assim. Procure anotar somente o necessário.

Quando não há dedilhado marcado no método, inicialmente, o contrabaixista tocará somente o que aprendeu e sabe. Felizmente, ele não terá muitas opções de escolha.

Conforme o contrabaixista vai adquirindo mais experiência, ele mesmo passará a definir o seu dedilhado. Dedilhado é algo bastante subjetivo e uma vasta margem de erros e acertos faz parte do processo.

Ao marcar um dedilhado em um determinado trecho musical, o contrabaixista atentará para muitas coisas, entre elas:
a) O conjunto de notas que poderão ser tocadas em uma mesma posição, levando também em consideração a articulação das notas (se ligadas ou articuladas, etc.);
b) O timbre (uma mesma nota pode ser tocada em outras posições ou mesmo em outras cordas, etc.);
c) O golpe de arco utilizado (se as notas poderão ser feitas na mesma corda ou não e a velocidade de execução delas, etc.);
d) A arcada (arco para cima ou para baixo e quantas notas serão tocadas em um só movimento);
e) A expressão sonora (o vibrato pode soar melhor com determinado dedo, uma mudança de corda pode estragar um trecho “cantabile“, uma mudança de posição perigosa pode ter dedilhados alternativos, etc.);
f) O resultado sonoro esperado (às vezes, o dedilhado mais fácil não soa tão bem, ou o dedilhado mais difícil pode atrasar a passagem, etc.);
g) O estilo musical (por exemplo, músicas do período clássico têm trechos que necessitam de muita clareza e rapidez, e isso requer um dedilhado que seja condizente com o objetivo).

Sempre insisto na importância de saber o nome de cada nota de cada posição porque, com o tempo, você saberá automaticamente que o mi bemol da terceira posição é tocado com o dedo 2, por exemplo, e que se em cima desse mi bemol estiver marcado 2, ele não será tocado na meia posição (dedo 1), por exemplo.

Mas o que fazer se eu encontrar um mi bemol com 1 em cima, já que ele pode ser encontrado na meia posição (corda ré), na 2ª meia posição (dedo 4 – corda lá), na terceira posição (dedo 2 – corda lá), na 3ª meia posição (dedo 1 – corda lá), na 5ª meia posição (dedo 4 – corda mi), 6ª posição (dedo 2 – corda mi) e na 6ª meia posição (dedo 1 – corda mi)?

Primeiramente, calma! Se está marcado 1 em cima do mi bemol, e você estiver fazendo um estudo de um método usando quase todo o braço do contrabaixo, provavelmente pode ser qualquer um desses mi bemóis aí de cima, porque a função do método é fazer a gente aprender a usar até os dedilhados mais esdrúxulos, mesmo que nunca mais a gente volte a usá-los na vida.

Agora, na prática, existem quatro posições para ele: a meia ou as posições da corda lá. Tudo vai depender do contexto musical, artístico e técnico, conforme escrevi quatro parágrafos atrás. Dificilmente, você usará os mi bemóis das outras posições, mas dificilmente não quer dizer nunca, certo?

Outra coisita: num naipe de orquestra, por exemplo, as passagens mais comprometedoras podem ter seu dedilhado definido pelo chefe de naipe e, nesse caso, mesmo que você não concorde com o contexto musical, artístico e/ou técnico usado por ele e que deteste o dedilhado a ser feito, o contexto disciplinar fala mais alto e deve ser respeitado.

Portanto, nome e esconderijo das criaturas, estratégia de ataque e disciplina para estudar e para respeitar são as cinco coisas iniciais que todo contrabaixista deve saber que existem, para não ser eliminado no futuro…

Espero ter ajudado, Marcos. Boa sorte contrabaixística procê!

Para ler mais sobre o assunto:
http://www.voilamarques.com/2011/05/64-como-se-livrar-das-posicoes-contrabaixisticas-comprometedoras/

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