Marcador: Orientações contrabaixísticas


Pontas do metacarpo são aquelas “bolinhas” ósseas (articulação, junta de ossos) que ficam entre os dedos e o começo das mãos.
Imagine-se segurando um binóculo. Se você tiver um em casa, ótimo. Se não tiver, pode usar dois rolos de papel higiênico vazios ou pela metade.
Agora, mantenha as mãos descansadas e procure amoldar as suas mãos ao contorno curvilíneo do binóculo (ou dos rolos), “grudando” as palmas das mãos nele. Levante o binóculo em direção aos olhos.
Continue com as palmas das mãos grudadas nele e deixe cair os cotovelos para bem junto do seu corpo.
Quando você faz isso, suas mãos descansam sobre o binóculo e o peso dos seus braços “pesa” em direção aos cotovelos.
Essa é uma forma de segurar um objeto que é bem próxima à forma de se colocar a mão esquerda no contrabaixo.
Olhe para as suas pontas do metacarpo. Repare que elas estão suavemente posicionadas entre os seus dedos e os seus pulsos, sem elevações, tensões ou protuberâncias, exatamente como deve ser a mão de um contrabaixista.
A tensão de uma ponta de metacarpo saliente costuma vir acompanhada de um pulso “quebrado”.
Tanto um fator como ambos interrompem o fluxo do peso natural do braço, que vai das costas até a ponta dos dedos.
Esse fluxo de peso, ao ser interrompido, faz com que o peso do braço e do corpo não chegue aos dedos, que passam a usar a força para pressionar as cordas.
Contrabaixo não faz uso da força, lembrou?
Você já viu pianistas tocando com as pontas do metacarpo pontudas?
Por que contrabaixistas insistem em tocar com as pontas do metacarpo altas?

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Acho que as alturas mudam e as referências também se você toca em pé ou sentado.
Fui experimentar isso agora para ter uma idéia do que escrever a respeito.
Parece que a altura do contrabaixo varia de escola para escola. Normalmente, pelo o que tenho visto, as escolas de arco alemão costumam usar o contrabaixo com o espigão baixo e as escolas de arco francês costumam usar o contrabaixo com o espigão um pouco mais alto, não sei por quê. Acho que isso é uma questão de tradição mesmo.
Sempre ouvi dizer que a referência de altura é dada pela orelha (minha escola é italiana).
Toco sentada, mas procuro manter o 1º dedo na 1ª posição (lá na 1ª corda) alinhado com a pontinha da orelha. Lógico, que com o tempo isso é feito automaticamente…
Com o contrabaixo em pé, essa “referência” muda, porque o instrumento fica mais alto. Aí, o importante é manter as cravelhas afastadas da cabeça, para você não levar uma trauletada quando estiver tocando cheio de inspiração!…
Com o contrabaixo em pé, costumo alinhar o 1º dedo na 2ª posição (si bemol na 1ª corda) com a pontinha da orelha.
Como sou baixinha, toco com o instrumento alto, para poder tocar com o arco entre o espelho e o cavalete e ter mais som. Se eu tocasse com o contrabaixo baixo, só conseguiria tocar em cima do espelho, o que chamamos de “sul tasto” (sobre o espelho), e o som é bem pequeno nessa região.
Mesmo com o contrabaixo alto, eu o inclino mais para poder ter a referência com a orelha, ok?

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Só para “ilustrar” o que escrevi, sou baixinha (1,58m), tenho a mão pequena e dedos longos, e toquei durante muitos anos num contrabaixo enooorme (111 cm que depois passou para 109 cm).
Um dos meus sonhos de contrabaixista seria ter nascido com mais um dedinho de comprimento de braço. Como não tive fada madrinha para isso, para alcançar com mais facilidade as notas muito agudas e também para conseguir deixar o arco entre o fim do espelho e o cavalete, uso o espigão alto.
Mais uma vez volto a escrever que os problemas contrabaixísticos e suas soluções variam de contrabaixista para contrabaixista, e que a orientação de um professor de contrabaixo é sempre bem-vinda.

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Quanto ao comprimento do braço do contrabaixista, quando curto, é um problema para alcançar as notas muito agudas do instrumento (mais os harmônicos), porque para isso é necessário o contrabaixista “se debruçar” muito no contrabaixo para alcançá-las. Essas notas muito agudas são usadas no repertório solístico do contrabaixo.
Para contrabaixistas com braços curtos sugiro quatro soluções:
1) Tocar com um contrabaixo de posições pequenas;
2) Tocar os harmônicos na metade inferior do contrabaixo. Quando pensamos em harmônicos, podemos pensar em “dividir” o instrumento na metade da corda (oitava da corda solta). Teremos então duas metades: inferior (descendo para as notas graves) e superior (subindo para as notas agudas). Todas as notas da metade superior podem ser tocadas na metade inferior;
3) Aumentar o tamanho do espigão. Para quem tem braço curto e/ ou dedos curtos essa solução pode “aproximar” mais as notas agudas, porque o contrabaixo fica mais alto. Em compensação, as notas mais graves ficam mais “para trás” também. É difícil arranjar uma solução sem problemas. Nessas horas, o professor e/ ou o contrabaixista deverão pensar nas vantagens e desvantagens e na relação custo-benefício, e optar pela solução mais adequada ao caso;
4) A solução mais radical seria não chegar à região muito aguda do instrumento, tocando um repertório de acordo com isso.

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Por isso, acho que o comprimento dos dedos é importante: o contrabaixista não precisa ter dedos enormes, mas com “cotoquinhos” ficará bastante difícil tocar, já ele terá que manter constantemente uma abertura de dedos muito grande para fazer a forma das mãos nas posições do instrumento.
Para contrabaixistas com dedos pequenos sugiro duas soluções:
1) Usar um contrabaixo pequeno, até porque essa “dificuldade” com o tamanho das posições é mais presente nas posições mais graves. Como o instrumento não tem trastes, as posições diminuem conforme as posições vão ficando mais agudas;
2) Tocar o mais “relaxado” possível, porque uma mão relaxada fica mais flexível, e essa flexibilidade faz com que os dedos da mão esquerda fiquem menos “travados” e “abram” mais. Assim eles parecerão maiores e alcançarão melhor as notas. Quem disse que maquiagem contrabaixística não existe? Bem, tocar evitando tensionamentos deveria ser uma meta a ser seguida por todos os contrabaixistas, independente de altura, tamanho de dedos ou de braço…

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O contrabaixo ainda está equivocadamente associado a pessoas altas e ao uso da força para ser tocado. Isso talvez ainda leve um longo tempo para ser modificado…

A altura do contrabaixista não é tão importante quanto o comprimento de seus braços e de seus dedos da mão esquerda, e mesmo assim isso é subjetivo.

Primeiramente, gostaria de escrever que existem contrabaixos para adultos e crianças.

O contrabaixo, por ter medidas muito variáveis entre um instrumento e outro, é considerado um “instrumento bastardo”, terminologia também aplicada à viola (de orquestra, prima do violino).

Os contrabaixos de adultos são classificados em tamanhos 5/8, 3/4, 7/8 e 4/4.

Para mim, mais importante do que o tamanho do “bojo” do instrumento é o comprimento do “diapasão”, distância entre a pestana (comecinho do espelho) e o cavalete.

Bem, vocês poderão esclarecer os detalhes corretos dessas medidas com um luthier, mas um contrabaixo 3/4 tem o “diapasão” de 106 ou 107 cm.
Um contrabaixo com 108 cm já pode ser considerado um contrabaixo 7/8, assim como um com 109, 110 e 111 cm, com certeza será um 4/4.

Existem muitos contrabaixos com diapasão 103, 104 e até 102 cm. Eles são considerados contrabaixos 5/8.

Essas medidas estabelecem o que chamamos de contrabaixos “grandes”, contrabaixos “normais” e contrabaixos “pequenos”. Essas “classificações” fazem com que as posições nos instrumentos sejam maiores (nos contrabaixos grandes) ou menores (nos contrabaixos pequenos).

Dependendo do “diapasão, um contrabaixo ”bojudo” pode não ser um instrumento “grande” e um contrabaixo pequeno pode não ser um instrumento “pequeno”.

Um contrabaixo “grande” exigirá uma abertura de dedos maior e um contrabaixo “pequeno” exigirá uma abertura de dedos menor.

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Quando se estuda ou toca um instrumento não é normal sentir dor, principalmente após o período de “adaptação” a ele que, mesmo variando de pessoa para pessoa, não dura mais do que algumas semaninhas.

A dor é a forma que o corpo arranja para dizer que algo não vai bem, seja por excesso de estudo, seja por excesso de tensão, seja por falta de condições espaço-físicas apropriadas para o estudo, ou mesmo por negligência com a saúde, já que uma dor aguda ou constante começa com uma pequena dor, que quase sempre é ignorada.
Isso vale tanto para uma dor nos dedos quanto para uma gripe mal-curada por horas de estudo ou de trabalho irrecusáveis.

O que precisamos entender é que se pudermos cuidar melhor da nossa saúde, com uma alimentação balanceada, com a prática de exercícios físicos regulares, com um sono tranqüilo e, se possível, com uma vida sexual e social ativas, o número de doenças e de licenças médicas diminuirá consideravelmente.

Se a gripe é forte, mas a grana daquele trabalho é irrecusável ou a responsabilidade por ele é inadiável, cuidemo-nos fora dele com menos horas ou mesmo com nenhuma hora de estudo, muito repouso e/ou tratamento médico.

Se ficássemos atentos ao sinal que o nosso organismo dá a cada dor “contrabaixística”, nossa saúde ficaria bem menos exposta às conseqüências danosas da nossa negligência às dores que começam com pequenos problemas técnicos no instrumento e/ou com pequenos problemas ambientais.

Quantas pequenas dores contrabaixísticas já teriam sido sanadas com uma pequena mudança na técnica ou com uma pequena mudança de hábitos?

Quantas pequenas dores contrabaixísticas já teriam sido sanadas se dividíssemos o problema técnico com colegas e/ou professores contrabaixistas, e/ou se lêssemos mais sobre o assunto, e/ou se procurássemos orientação médica e/ou uma academia de ginástica?

Para complementar essas mudanças, um check-up anual ou bianual de rotina num clínico geral, passando por um oftalmologista, por um otorrinolaringologista, por um ortopedista e por um odontologista deveria ser uma regra para nós, músicos.

Parafraseando Antoine de Saint-Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”:

“Tu és eternamente responsável por tudo que cultivas.”
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, sem dores, desde as três eu começarei a ser feliz.
Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade!”
Nada como um contrabaixo feliz com a nossa chegada!…

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Aqui vai uma pequena lista não-médica, pessoal e transferível de alguns sintomas e suas possíveis ligações com o contrabaixo.

Dor de cabeça:
Gripe e/ou dor de ouvido esquecidos pelo excesso de estudo de contrabaixo;
Necessidade de mudança de grau dos óculos ou lentes, especialmente se você lê partituras;
Tensão no pescoço devido às cobranças musicais e não-musicais;
Pouca ingestão de líquidos ou alimentos no período do estudo;
Calor ou frio excessivos no ambiente de estudo e/ou trabalho;
Iluminação inadequada do ambiente ou impressão ruim das partituras;
Cansaço, preocupação e/ou stress.

Dor de ouvido e/ou perda suave de audição:
Som alto, barulho ou ruído excessivos;
Otite devida a gripes mal-curadas por excesso de estudo ou excesso de “deixa para lá”;

Dor e/ou fisgada na ponta dos dedos:
Falta de aquecimento e/ou alongamento antes do estudo;
Falta de descanso a cada 50 minutos de estudo;
Excesso de estudo;
Desenhos musicais repetitivos feitos em excesso com o mesmo dedilhado (trinado, “1-2-4, 1-2-4, 1-2-4”, etc.);
Excesso de pressão ou uso da força para prender as cordas;
Movimentos muito altos de levantar e abaixar os dedos ao prender as cordas;
Uso de força ao abaixar os dedos sob a corda;
Cordas muito altas (maior pressão dos dedos);
Trabalho excessivo sob uma mesma corda grave (4ª ou 3ª);
Falta de condicionamento físico.

Dor e/ou fisgada nos cotovelos:
Excesso de movimentos repetitivos;
Excesso de movimentos grandes e circulares com o arco nas mudanças de cordas;
Excesso de movimentos curtos repetitivos (“tremolo”, semicolcheias muito rápidas, etc.) na corda (não-spiccato);
Falta de descanso a cada 50 minutos de estudo.

Dor e/ou fisgada nos ombros:
Falta de alongamento antes e/ou depois do estudo;
Carregar o contrabaixo ou objetos pesados de mau-jeito;
Adaptação involuntária do corpo à mudança de espaço no local de estudo;
Adaptação involuntária do corpo ao contrabaixista com quem se divide a estante musical (ombros levantados, ombros “duros”, etc.);
Cordas muito altas (maior pressão do corpo);
Uso desnecessário de força para tocar;
Falta de condicionamento físico.

Dor e/ou fisgada no pulso:
Excesso de estudo;
Falta de alongamento antes e/ou após o estudo;
Movimento repetitivo grande e/ou excessivo do pulso (“tremolo”, semicolcheias, fusas, pizzicato rápido, etc.);
Cordas muito altas (mais pressão do braço);
Uso de força nas mãos;
Carregar o contrabaixo ou objetos pesados de mau-jeito;
Falta de condicionamento físico.

Dor e/ou fisgada no polegar:
Uso desnecessário de força para segurar e movimentar o arco;
Uso desnecessário de força para apoiar o polegar esquerdo no braço do instrumento.
Ambos os casos podem ocorrer tanto por falta de técnica, quanto por movimentos repetitivos, quando o braço e a mão ficam cansados e/ou tensionados.

Dor e/ou fisgada nos joelhos:
Tocar muito tempo em pé sem descanso;
Tocar (sentado ou em pé) com os pés tortos,
Subir eventualmente escadas com o contrabaixo;
Sentar em bancos de contrabaixo com os pés direito e esquerdo com alturas diferentes entre si;
Apoiar excessivamente o contrabaixo com o peso do corpo em direção ao joelho;
Tocar em bancos muito altos;
Falta de condicionamento físico.

Dor e/ou fisgada nas costas:
Falta de condicionamento físico;
Excesso de estudo;
Excesso de peso;
Falta de pausa a cada 50 minutos de estudo;
Problemas posturais: região lombar voltada para a barriga ao tocar sentado, ombros e costas caídos para frente, etc.);
Divisão irregular da estante com o colega contrabaixista;
Espaço físico ou condições inadequadas de estudo e/ou trabalho;
Excesso de cobranças musicais e não-musicais.

Dor e/ou fisgada nos pés:
Excesso de peso;
Pés tortos ao tocar;
Tocar sentado com um dos pés apoiado no chão (o peso do corpo se concentra mais nele);
Excesso de estudo;
Falta de pausa a cada 50 minutos de estudo.

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Nessa minha longa trajetória de contrabaixista com tendinite, não sei mais quem me deu (no singular e no plural) essa informação de que LER tinha mudado de nome e passado a se chamar DORT…

Quantos aos alongamentos e pausas para prevenção, sempre frisei isso por aqui, assim como a prática regular de exercícios físicos, desde que não sejam feitos enquanto os tendões estão inflamados.

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Mensagem postada por Daniel Menezes, na ‘Mulheres no contrabaixo’

“Voila,
se não me engano “A LER (lesão por esforço repetitivo), que agora se chama DORT (distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho) é a nossa famosa tendinite”
são de fato coisas diferentes (pelo menos é o que dizem na faculdade)

DORT: como diz o nome é um distúrbio, como a câimbra , o formigamento, e o dolorido do dia seguinte a falta de força, não afetou significativamente o corpo, é como se fosse um aviso que o corpo está sendo estressado demasiadamente , ela pode ser remediada com alongamentos, acupuntura, exercícios de fortalecimentos progressivo e antiinflamatórios (nunca, nunca tome esses troços, sempre melhor é o mais natural, nunca remédios)

LER: desenvolvido graças a uma lesão ( de fato os sintomas da DORT são quase os mesmos da ler), mas normalmente acompanhados por uma dor horrível, é incurável, mas tratável e controlável com os mesmos procedimentos da DORT, mas muitas vezes o corpo lesionado age antes do necessário causando dor para evitar o movimento ou posição que “irrita” a lesão, por causa disso muitos datilógrafos ou músicos são aposentados por incapacidade mesmo que ainda vivam uma vida completamente normal.

Conheço um músico que tacava muito bem violino, quando desenvolveu ler, passou para o piano ,agora sem nenhum problema e muitas precauções, ainda hoje quando toca violino cinco minutinhos a dor ataca de forma aguda.

A forma mais efetiva de se evitar LER e DORT são alongamentos e pausas a cada hora de trabalho.Mesmo que existam músicos que somente sentem esses efeitos quando se aposentam, pois a musculatura fica mais flácida, deixando as lesões sem base , e expondo-as.
Espero ter ajudado, Voila.”

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