Postagens de setembro, 2013


Notícia retirada do site www.riomusicweek.com

II Semana Internacional de Música de Câmara do Rio de Janeiro, de 26/9 a 03/10/2013.

Programa com contrabaixo:

Daniel Rowland – Violino
Simone Leitão – Piano
Thibault Delor – Contrabaixo
Yannos Margaziotis – Violino
Daniel Guedes – Violino
Daniel Albuquerque – Violino
Marcio Mallard – Cello
Aleyson Scopel – Piano

E. Grieg – Sonata para violino e piano em dó menor (Rowland e Leitão)
1. Allegro molto ed appassionato
2. Allegretto espressivo alla Romanza
3. Allegro animato
F. A. Hoffmeister – Quarteto para trio de cordas e contrabaixo (Delor/Margaziotis/Albuquerque/Malard)
F. Schubert – Quinteto com piano em Lá maior “A Truta” (Guedes/Albuquerque/Malard/Delor/Scopel)

Data: 30/09/2013 – 2ª feira
Horário: 12h30min
Local: Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Rio de Janeiro – RJ
Para ver a programação completa do evento, clique aqui.

Masterclasses gratuitas no CCBB
Inscrições: http://www.riomusicweek.com/masterclasses

27/09/2013 – 6ª feira
Horário: 15h30min / 17h30min
Paul Cassidy (Quarteto Brodsky) – viola
Londres, Inglaterra

28/09/2013 – sábado
Horário: 16h/ 18h
Juliana Steinbach – piano
Paris, França

30/09/2013 – 2ª feira

Horário: 10h/ 12h
Daniel Rowland (Quarteto Brodsky) – violino
Londres, Inglaterra
Jaqueline Thomas (Quarteto Brodsky) – violoncelo
Londres, Inglaterra

Horário: 15h/ 17h
Thibault Delor – (Universidade de São Paulo – USP) – contrabaixo
França / Brasil
Michael Collins – clarineta
Londres, Inglaterra

Inscrições: http://www.riomusicweek.com/masterclasses

“Gostaria de saber qual elemento classifica uma “posição” como sendo “meia” ou “intermediária”, e qual seria a função didática disso, ou seja, a intenção de alguns autores de método?”
Perguntas feitas para o Blog da Voila Marques, por Marcos.

Marcos, para responder a sua pergunta, preciso abordar outros assuntos também, certo?
Para começar, vamos definir os dedos da mão esquerda:

Dedo 1: dedo indicador
Dedo 2: dedo médio
Dedo 3: dedo anular
Dedo 4: dedo mínimo

A nomenclatura das posições que utilizo sempre tem uma posição “inteira” quando o dedo 4 toca uma nota da escala de Dó Maior na corda sol.
Tomando como referência a corda sol, esta nomenclatura vai até o dedo 4 no fá sustenido (mi 1 – fá 2 – fá sustenido ou sol bemol 4) e continua com as três posições de dedilhado 1-2-3, terminando na sétima posição (sol – sol sustenido ou lá bemol – lá).

“Resumindo”, na corda sol:
Na primeira posição, o dedo 4 estará no si.
Na segunda posição, o dedo 4 estará no .
Na terceira posição, o dedo 4 estará no .

Antes da primeira posição, há a meia posição (sol sustenido ou lá bemol 1 – lá 2 – si bemol ou lá sustenido 4.
Repare que, aí, o dedo 4 não está em uma nota da escala de Dó Maior (dó – ré – mi – fá – sol – lá – si).

Mas entre a segunda posição e a terceira tem uma posição (si 1- do 2 – dó sustenido ou ré bemol 4), em que o dedo 4 também não está em cima de uma nota da escala de Dó Maior, certo?
Então você terá mais uma meia – alguma coisa – posição, no caso, segunda meia posição.

Aí, virá a terceira posição (dó 1 – dó sustenido ou ré bemol 2 – ré 4).
Depois, você terá a terceira meia posição (dó sustenido ou ré bemol 1 – ré 2 – ré sustenido ou mi bemol 4).
E por aí vai.

Essa é uma das formas de nomear as posições, já que existem outras.
Alguns métodos, por exemplo, nomeiam cada posição com uma numeração inteira, sendo que a única “meia” é a meia posição (sol sustenido ou lá bemol 1 – lá 2 – si bemol ou lá sustenido 4).

Mas qual a função de nomear as posições?
Bem, acho que é para chamar as lindas pelo nome e definir as notas feitas com dedilhados pré-determinados, sem mudança de posição.

Mas, como a posição é um conjunto de notas feitas com a mão parada (sem fazer mudança de posição) em todas as cordas do instrumento, vale lembrar que, chamou por uma posição, várias notas atendem o chamado.

Nos dedilhados 1-2-4 ou 1-3-4, o conjunto de notas de uma posição pode ser de doze notas (contrabaixo de quatro cordas) ou de quinze notas (contrabaixo de cinco cordas) o que, por si só, já pode ser caracterizado como formação de quadrilha. Saber o nome de cada mafiosa e o seu esconderijo secreto pode ser o segredo do sucesso nas horas de desespero…

O contrabaixo costuma ser afinado assim: sol (1ª corda, a mais aguda) – ré (2ª corda) – lá (3ª corda) e mi (4ª corda, a mais grave). Se houver uma 5ª corda, ela será a si, mais grave que a corda mi. Essa é a afinação chamada orquestral.

Sendo assim, na primeira posição, teremos as notas:
4ª corda (mi): fá sustenido (ou sol bemol) 1- sol 2 –sol sustenido (ou lá bemol) 4;
3ª corda (lá): si 1 – dó 2 – dó sustenido (ou ré bemol) 4;
2ª corda (ré): mi 1 – fá 2 – fá sustenido (ou sol bemol) 4;
1ª corda (sol): lá 1 – lá sustenido (ou si bemol) 2 – si 4.

Ao fazer uma posição com os dedilhados 1-2-4 ou 1-3-4 (onde estiver escrito dedo 2, substitua pelo dedo 3), a nota mais grave dessa posição será feita com o dedo 1, e a mais aguda será feita com o dedo 4.
A nota mais grave da primeira posição é o fá sustenido da corda mi, e a mais aguda é o si da corda sol.

Posição, são essas notas, acompanhadas das notas dos outros dedos na mesma corda, e do “recheio” das notas que ficam nas cordas paralelas, sem mexer a mão nem prá trás, nem prá frente, já que essa “mexida”, quando feita para trocar de nota, é o que chamamos de mudança de posição. E se mudou de posição, logicamente, não está mais na mesma posição.

Para facilitar um pouco a compreensão disso, imagine um edifício com vários andares e quatro apartamentos por andar. Em cada apartamento moram três pessoas.
Posição parada é quando os três moradores de cada apartamento visitam os seus vizinhos de andar.
Mudança de posição é quando esses moradores pegam o elevador para visitar outros vizinhos, para ir ao play, sair do edifício, etc.

Repare que, na primeira posição, o fá sustenido existe tanto na corda mi, quanto na corda ré, e que o si existe tanto na corda lá, quanto na corda sol.
A diferença entre as notas com mesmo nome será de altura: um intervalo de uma oitava, ou seja, oito notas de diferença da primeira até a última nota (por exemplo: de um si para outro si temos: si –dó- ré – mi – fá –sol – lá – si). O fá sustenido da corda mi é mais grave que o da corda ré, assim como o si da corda lá é mais grave que o si da corda sol.

E aí vai a primeira observação – um tico óbvia, mas nem por isso menos importante: não existe nota completamente igual em uma mesma posição; ou ela vai mudar de nome (mesmo que o som seja o mesmo, como é o caso da enarmonia) ou mudará de altura (mesmo que o nome seja igual, sendo que uma nota de mesmo nome ficará mais aguda ou grave que a nota homônima).
Em uma posição, cada dedo é responsável por quatro notas distintas, uma para cada corda. Se o contrabaixo tiver cinco cordas, cada dedo é responsável por cinco notas, uma para cada corda.

A segunda observação, outro tico óbvia, é de que as notas de uma mesma posição são sempre tocadas com um dedo específico.
Por exemplo, na primeira posição, a nota dó (feita na corda lá) é sempre tocada com o dedo 2. Toda vez que você tocá-la com outro dedo, pode ter certeza de que não estará na primeira posição. Se você insistir que está na primeira posição, pode acionar o seu plano de resgate para músicos perdidos…

A terceira observação – mais que prá lá de óbvia – é de que, em uma mesma posição, as notas com o mesmo nome – por não serem da mesma altura (uma é mais grave e a outra é mais aguda) -, também nunca serão tocadas com o mesmo dedo.

Quando se estuda um método, normalmente o dedilhado já vem marcado e os métodos tradicionais de técnica (Simandl, Billé, etc.) costumam vir divididos por posições.

Muitas vezes, a posição não vem especificada no trecho musical, mas o dedilhado em cima da nota, e o número da corda embaixo (em algarismo romano: I – corda sol; II – corda ré; III – corda lá e IV – corda mi) sim, e funcionam como um GPS contrabaixístico, lembrando que é necessário um período de adaptação, para não surtar ao ler as bolinhas e o ritmo na partitura, e ainda ver se as notas têm antenas numéricas em cima e embaixo…

Nos métodos, encontramos a posição a ser estudada com as suas respectivas notas especificadas com os nomes mais “usuais” (sol, lá, si bemol, etc.) e/ou em notas enarmônicas (fá = mi sustenido; lá dobrado bemol = sol, etc.), pois essas notas também existem e precisam ser treinadas.
Por exemplo: na partitura tem um sol escrito e, de repente, aparece um fá dobrado sustenido e, logo em seguida, surge um lá dobrado bemol. Só olhos e mão adestrados continuarão na mesma nota e, mesmo assim, só se bem acompanhados de espírito elevado para não xingar a mãe do compositor e, no caso de concurso, do filho da mãe que escolheu aquela m de partitura… Mas se o contrabaixista não sabe sequer que existe esse tipo de nota, ele também não terá “autonomia” cultural para reclamar de nada. Até prá falar mal a gente tem que ter conteúdo…

Os métodos costumam ter estudos escritos na mesma posição que está sendo estudada, com escalas e arpejos das tonalidades que podem ser encontradas em cada posição estudada.
Neles, além do dedilhado escrito e, também da indicação da posição estudada (primeira posição, terceira posição, etc.) no “capítulo”, o professor de contrabaixo costuma anotar o dedilhado que se fizer necessário, ou mesmo modificar o que está sendo pedido.

Lembrando que não se anota posição: anota-se o dedilhado (número do dedo) e/ou o número da corda, e no dedilhado já está subentendida a posição que a nota a ser tocada está.
Não há necessidade de anotar tudo que é dedilhado, corda, etc, porque isso suja a partitura e vicia a ler assim. Procure anotar somente o necessário.

Quando não há dedilhado marcado no método, inicialmente, o contrabaixista tocará somente o que aprendeu e sabe. Felizmente, ele não terá muitas opções de escolha.

Conforme o contrabaixista vai adquirindo mais experiência, ele mesmo passará a definir o seu dedilhado. Dedilhado é algo bastante subjetivo e uma vasta margem de erros e acertos faz parte do processo.

Ao marcar um dedilhado em um determinado trecho musical, o contrabaixista atentará para muitas coisas, entre elas:
a) O conjunto de notas que poderão ser tocadas em uma mesma posição, levando também em consideração a articulação das notas (se ligadas ou articuladas, etc.);
b) O timbre (uma mesma nota pode ser tocada em outras posições ou mesmo em outras cordas, etc.);
c) O golpe de arco utilizado (se as notas poderão ser feitas na mesma corda ou não e a velocidade de execução delas, etc.);
d) A arcada (arco para cima ou para baixo e quantas notas serão tocadas em um só movimento);
e) A expressão sonora (o vibrato pode soar melhor com determinado dedo, uma mudança de corda pode estragar um trecho “cantabile“, uma mudança de posição perigosa pode ter dedilhados alternativos, etc.);
f) O resultado sonoro esperado (às vezes, o dedilhado mais fácil não soa tão bem, ou o dedilhado mais difícil pode atrasar a passagem, etc.);
g) O estilo musical (por exemplo, músicas do período clássico têm trechos que necessitam de muita clareza e rapidez, e isso requer um dedilhado que seja condizente com o objetivo).

Sempre insisto na importância de saber o nome de cada nota de cada posição porque, com o tempo, você saberá automaticamente que o mi bemol da terceira posição é tocado com o dedo 2, por exemplo, e que se em cima desse mi bemol estiver marcado 2, ele não será tocado na meia posição (dedo 1), por exemplo.

Mas o que fazer se eu encontrar um mi bemol com 1 em cima, já que ele pode ser encontrado na meia posição (corda ré), na 2ª meia posição (dedo 4 – corda lá), na terceira posição (dedo 2 – corda lá), na 3ª meia posição (dedo 1 – corda lá), na 5ª meia posição (dedo 4 – corda mi), 6ª posição (dedo 2 – corda mi) e na 6ª meia posição (dedo 1 – corda mi)?

Primeiramente, calma! Se está marcado 1 em cima do mi bemol, e você estiver fazendo um estudo de um método usando quase todo o braço do contrabaixo, provavelmente pode ser qualquer um desses mi bemóis aí de cima, porque a função do método é fazer a gente aprender a usar até os dedilhados mais esdrúxulos, mesmo que nunca mais a gente volte a usá-los na vida.

Agora, na prática, existem quatro posições para ele: a meia ou as posições da corda lá. Tudo vai depender do contexto musical, artístico e técnico, conforme escrevi quatro parágrafos atrás. Dificilmente, você usará os mi bemóis das outras posições, mas dificilmente não quer dizer nunca, certo?

Outra coisita: num naipe de orquestra, por exemplo, as passagens mais comprometedoras podem ter seu dedilhado definido pelo chefe de naipe e, nesse caso, mesmo que você não concorde com o contexto musical, artístico e/ou técnico usado por ele e que deteste o dedilhado a ser feito, o contexto disciplinar fala mais alto e deve ser respeitado.

Portanto, nome e esconderijo das criaturas, estratégia de ataque e disciplina para estudar e para respeitar são as cinco coisas iniciais que todo contrabaixista deve saber que existem, para não ser eliminado no futuro…

Espero ter ajudado, Marcos. Boa sorte contrabaixística procê!

Para ler mais sobre o assunto:
http://www.voilamarques.com/2011/05/64-como-se-livrar-das-posicoes-contrabaixisticas-comprometedoras/

Licença Creative Commons
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