Postagens de julho, 2013



Recebi, por e-mail, o simpático convite do nosso talentosíssimo colega contrabaixista Adriano Giffoni, para o show que ele fará agora, 6ª feira, e repasso os detalhes para vocês.
Muito sucesso contrabaixístico procê, Giffoni!

Ele fará o show “Concerto Popular”, acompanhado por Felipe Poli (violão) e por César Machado (bateria e percussão), em que tocará composições suas para contrabaixo acústico com arco, e também algumas composições de outros autores brasileiros.

Data: dia 02/08/2013, sexta-feira
Horário: 18h30min
Local: Escola Nacional de Música da UFRJ – Salão Leopoldo Miguez
Rua do Passeio, 98 – Lapa
Entrada franca

Caros colegas dos graves pompozudos,

Em mais um auto-ataque primoroso e infalível de desorganização pessoal, com resultados dignos de indagações estilosas – modelito “por que isso acontece comigo?” -, perdi a minha lista de sugestões de temas para os vídeos da 2ª edição do A-B-C-Dicas de Contrabaixo…

Por isso, improvisei às pressas alguns temas, que posto agora para vocês, acompanhados dessas desculpas prá lá de esfarrapadas, mas tão sinceras e comoventes quanto a minha desorganização…

Abraços e beijoquins contrabaixísticos da Voila

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Partes do contrabaixo e como o som acontece:

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Sobre ombro esquerdo e cotovelos:

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Pegadas de arco francês:

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Boatos e bobagens sobre o contrabaixo:

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Como escolher um arco modelo francês:

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Papo informal sobre timbre e som

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Mudança de posição inicial:

A-B-C-Dicas de Contrabaixo – Alguns pontos importantes com relação ao arco:

Infelizmente, não pude estar presente ao IV EIC – MRM 2013, mas me senti orgulhosa de ser contrabaixista com o evento profissionalíssimo, representado por expoentes do contrabaixo, e com essa reportagem que coloco aqui para vocês.

Não é todo dia que temos encontros de contrabaixo, assim como não é todo dia que temos uma reportagem – e muito bem escrita – sobre o nosso amado, idolatrado, salve, salve, contrabaixo!

Reportagem retirada do site da Revista Ciência Hoje.
Texto escrito por Célio Yano e publicado em 19/06/2013.
Cópia autorizada e agradecimentos contrabaixísticos do blog ao repórter Célio Yano e ao professor de contrabaixo Alexandre Ritter (UFRGS).

“A hora e a vez do contrabaixo

Instrumento responsável por dar base harmônica e rítmica às músicas vira protagonista em encontro internacional. Sucesso do evento evidencia evolução na formação de músicos brasileiros.

Por: Célio Yano

Detalhe de contrabaixo. Instrumento mais grave da família das cordas começou a ganhar atenção em execuções solo. (foto: Maja Fabczak/ Sxc.hu)

Era noite de sábado, e o pequeno auditório de cerca de 300 lugares estava completamente lotado. No palco, o canadense Joel Quarrington, considerado um dos maiores contrabaixistas da atualidade, executava quatro obras – duas delas, de Tomas Oboe Lee e Manning Sherman, em estreia mundial. O recital, gratuito, encerraria o último dia do IV Encontro Internacional de Contrabaixistas.

Não foi na Itália, Alemanha ou Áustria. O evento, dedicado exclusivamente ao instrumento mais grave da família das cordas, foi organizado pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ocorreu em Porto Alegre no início de maio passado. Estaria fadado ao fracasso se tivesse sido realizado cerca de duas décadas atrás. Seu sucesso tem a ver com o momento específico por que passa o contrabaixo acústico no cenário musical do país do samba.

“A maneira como a performance dos contrabaixistas brasileiros evoluiu na última década impressiona”, diz Maria Helena Salomão, professora do instrumento na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e chefe do naipe de contrabaixos da Orquestra Sinfônica do Paraná.

“Levou muito tempo para o Brasil entrar no eixo”, afirma a contrabaixista, que dá aulas há dez anos e fez recentemente uma pesquisa sobre a formação de contrabaixistas no país. “É preciso lembrar que o Brasil era escravocrata até 1888, o que significa que o ensino de música só começou a se democratizar a partir da última década do século 19.”

Alexandre Ritter (à direita) e seu convidado de honra no IV Encontro Internacional de Contrabaixistas, o canadense Joel Quarrington. (foto: Rodrigo Soares Paim/ Instituto de Artes da UFRGS)

Como o violino e o violoncelo, o contrabaixo é composto por cordas que podem ser friccionadas por um arco ou dedilhadas. Mas sua exata origem ainda é tema de debate. As medidas não seguem as proporções do violino e do cello, e o contrabaixo é o único do naipe de cordas de uma orquestra a ter afinação diferente, o que sugere ser descendente de outro cordofone, a viola da gamba. Seu aparecimento remonta ao século 15 e foi criado originalmente para reforçar a melodia mais grave das polifonias, geralmente dobrando a melodia do violoncelo (uma oitava abaixo).

Formação de contrabaixistas

O primeiro curso de graduação em contrabaixo acústico no Brasil foi criado apenas em 1965, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De lá para cá, o país passou a contar com pelo menos 11 bacharelados com habilitação no instrumento, segundo dados preliminares do levantamento informal feito por Maria Helena Salomão. “Agora é que começa a haver mais oportunidades, mas ainda há um atraso muito grande do Brasil em relação a outros países”, diz a pesquisadora.

Salomão: “Agora é que começa a haver mais oportunidades, mas ainda há um atraso muito grande do Brasil em relação a outros países”

“Nossa realidade é outra”, concorda Alexandre Ritter, professor na UFRGS e coordenador do encontro realizado na universidade. “Nos Estados Unidos, as crianças começam a aprender música na escola”, exemplifica. “No Brasil, temos alunos que ingressam no bacharelado apenas com noções do instrumento”. Só há menos de dois anos entrou em vigor a lei 11.769, de 2008, que estabelece o ensino obrigatório de música no ciclo básico.

A melhora no acesso à formação de contrabaixistas no Brasil acompanha uma tendência mais ampla do instrumento. Desde a década de 1940, o contrabaixo acústico vem ganhando de forma significativa repertório para execução solo, deixando com mais frequência a responsabilidade, outrora única, de dar base rítmica e harmônica às composições.

Esse movimento acabou por levar a alterações na conformação física do instrumento. Nos contrabaixos modernos, o corte dos ombros desceu, permitindo ao músico alcançar notas agudas com mais facilidade. As cordas, mais finas e leves, também estão mais próximas do espelho [peça contra a qual as cordas são pressionadas durante a execução do instrumento]. Compositores consequentemente estão mais interessados em criar peças exclusivas para o instrumento. “É a era do contrabaixo”, define Ritter.

Master classes

Fatores como esses explicam a apresentação respeitável de um jovem de 15 anos em uma master class do encontro de contrabaixistas da UFRGS. Por causa do tamanho – aproximadamente 1,80 m de altura –, o contrabaixo acústico em geral só começa a ser praticado por pré-adolescentes, em média a partir dos 14 anos. No encontro de Porto Alegre, predominaram músicos da faixa dos 20 aos 30 anos.

Como o nome sugere, master class é uma aula especial, dada por um especialista. No evento da UFRGS, os alunos tinham 20 minutos para subir ao palco do auditório do Instituto de Artes e apresentar uma peça, a sua escolha. Diante dele, uma plateia composta apenas de contrabaixistas, e do professor – um grande nome do contrabaixo convidado para participar do evento.

Diferentes momentos de ‘master classes’ (aulas especiais ministradas por especialistas) durante o encontro internacional de contrabaixistas em Porto Alegre. (fotos: Rodrigo Soares Paim/ Instituto de Artes da UFRGS)

A pressão de tocar para um profissional renomado já valeria a experiência. Além disso, ao fim da audição, o músico ainda ouvia comentários sobre seu desempenho. Os ouvintes também tiravam proveito do debate.

O encontro atraiu cerca de 50 contrabaixistas, entre executantes e ouvintes, algo inédito para o evento, em sua quarta edição. “Mesmo grandes festivais de música reúnem em média 25 a 30 participantes”, diz Ritter. No repertório, concertos de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Giovanni Bottesini (1821-1889) e Serge Koussevitzky (1874-1951), entre outros, além de excertos de peças para orquestra.

Ciência

Com caráter pedagógico, cultural e científico, o encontro de contrabaixistas foi organizado por Alexandre Ritter e Walter Schinke pela primeira vez em 1999 para homenagear o uruguaio Milton Romay Masciadri (1930-2009), que se aposentava dos quadros da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre após 30 anos de serviços prestados. Sem periodicidade fixa, o projeto teve outras edições em 2001 e 2011.

A parte científica do evento fica por conta das palestras e mesas-redondas em que os contrabaixistas convidados – todos com vínculos com universidades –, falam de suas linhas de pesquisa. Em uma das conferências deste ano, por exemplo, o norte-americano Greg Hamilton abordou a transição de músicos do violoncelo para o contrabaixo, movimento mais raro do que aparenta ser. Violoncelista e contrabaixista, Hamilton ressaltou a importância, para um músico, de não se prender a um único instrumento.

Quarrington: “Quando estreei o contrabaixo em quintas, foi a primeira vez que me senti afinado em uma orquestra”

Um dos pontos altos foi o debate com o canadense Joel Quarrington sobre a afinação do contrabaixo em quintas (dó, sol, ré, lá). Quarrington é um dos grandes defensores desse tipo de ajuste, similar ao do violino e do violoncelo. Nessa afinação, o limite de notas passa a ser maior em relação ao ajuste tradicional do instrumento, em quartas (mi, lá, ré, sol).

A principal diferença, entretanto, está no modo como a madeira reverbera. “Quando estreei o contrabaixo em quintas, foi a primeira vez que me senti afinado em uma orquestra”, disse Quarrington. Na prática, a migração de um ajuste para o outro é muito difícil. A nova afinação implica mudança de toda a digitação (feita com a mão esquerda no braço do contrabaixo). Em um vídeo disponível na internet, em inglês, o canadense explica as diferenças entre as afinações.

Fim

Na saída do recital de encerramento do IV Encontro Internacional de Contrabaixistas, na noite de 4 de maio, o público agradecia, emocionado, ao organizador do evento por ter trazido Quarrington ao Brasil. Durante a semana, no entanto, o próprio canadense fazia questão de minimizar toda a atenção que recebia. Preferia destacar a qualidade dos alunos brasileiros.

Célio Yano
Ciência Hoje On-line/ PR”

Domingo, 21 de Julho

Concerto de Abertura do 4º Festival Internacional Música no Pampa (FIMP)

Parte I

Professores do FIMP:

Giovanni Bottesini – “Gran Quintetto” para Cordas em Dó menor
1. Allegro Moderato
2. Scherzo (Allegro ma no troppo)
3. Adagio
4. Allegro con brio

Violino: Cármelo de los Santos
Violino: Jean Reis
Viola: Renato Bandel – Viola
Violoncelo: Viktor Uzur
Contrabaixo: Marcos Machado

Parte II

Orquestra do FIMP
Regência: Jean Reis
Solo: Alejandro Drago

Ástor Piazzolla – Melodia em Lá
Jacob Gade – Jealousy (arranjo Alejandro Drago)
Ástor Piazzolla – Oblivion (arranjo Alejandro Drago)
Ástor Piazzolla – Decarísimo (arranjo Alejandro Drago)
Benjamin Britten – Simple Symphony, Op. 4
1. Boisterous Bourrée – Bourrée Turbulenta
2. Playful Pizzicato – Pizzicato Brincalhão
3. Sentimental Saraband – Sarabanda Sentimental
4. Frolicsome Finale – Finale Travesso

Local: Teatro do Complexo Cultural Dom Diogo de Souza
Endereço:Rua Caetano Gonçalves, s/nº – Bagé
Horário: 20:00 h

Terça-Feira, 23 de Julho

Quinteto Versatilis

Amaral Vieira – “Fronteiras”, Quinteto para piano e cordas Op. 297
1. Molto lento, expressivo
2. Molto lento
3. Allegro festivo

Violino: Cármelo de los Santos
Viola: Renato Bandel – Viola
Violoncelo: Viktor Uzur
Contrabaixo: Marcos Machado
Piano: Ney Fialkow

Antonín Dvořák – Quinteto de Cordas Nº 2 em Sol Maior, Opus 77
1. Allegro con fuoco
2. Scherzo
3. Poco andante
4. Finalle. Allegro assai

Violino I: Cármelo de los Santos
Violino II: Jean Reis
Viola: Renato Bandel
Violoncelo: Viktor Uzur
Contrabaixo: Marcos Machado

Local: Teatro do Complexo Cultural Dom Diogo de Souza
Endereço:Rua Caetano Gonçalves, s/nº – Bagé
Horário: 20:00 h

Bom, gente, aqui vai o exemplo de um contrabaixista que não se intimidou com o preconceito com o contrabaixo nosso de cada dia, e batalhou pelo nosso direito de ir e vir muito bem acompanhados do fofozão… no metrô de Brasília!  Parabéns, Gabriel Preusse!

Antigamente, dava para levar o contrabaixo no metrô aqui no Rio. Depois, proibiram.
Há uns dois anos, vi um contrabaixista com um contrabaixo na plataforma do metrô.
Achei que tudo tinha voltado a ser como era antes, mas ao ler a reportagem abaixo, penso que aquele contrabaixo talvez tenha sido uma andorinha gigante, a fazer verão no metrô carioca…

O cara do contrabaixo

Músico há mais de 10 anos no DF, Gabriel Preusse é o responsável por alterar a regra do metrô que impedia o acesso do instrumento do tamanho de um homem aos vagões

Gabriel Preusse foi barrado no metrô, em dezembro, por causa do seu contrabaixo: depois de uma mobilização cidadã, conseguiu, em abril, a autorização para todos entrarem com o instrumento

Texto e fotos retirados do site da Revista Encontro: http://sites.correioweb.com.br
Redação: Sérgio Maggio (redacao@encontrobrasilia.com.br)
Publicado em 18/07/2013

O menino Guildo não pestanejou. Largou a bicicleta ao chão e deixou para trás a família de ciclistas. De braços abertos, correu desembestado pela plataforma de embarque da estação 102 Sul: “Olha, é um contrabaixo!”. Gabriel Preusse, o dono do instrumento, abriu um sorriso de orelha a orelha. O garoto que vinha extasiado em sua direção parecia um presente do universo. A cena, um desses instantes que bem definem o conceito de felicidade, era como se fosse o grande desfecho para uma triste história da vida real. Quem testemunhou o encontro entre os olhos brilhantes do garoto, um aprendiz de escaleta, e do contrabaixista nem imaginou que, para estar naquele lugar, houve uma batalha pela cidadania, que durou meses e mobilizou até as redes sociais.

Era a primeira vez que Gabriel Preusse voltava à estação 102 Sul, onde foi barrado e tratado de forma ríspida em 14 de dezembro de 2012. Cinco meses tinham corrido e, mesmo tendo o compromisso formal da Ouvidoria do metrô sobre o acesso aos vagões, sentiu um arrepio de incerteza. Ao aproximar-se da catraca, empurrando o instrumento encapado e com rodinhas, viu um funcionário gentil abrir-lhe a porta para a entrada de grandes volumes. Suspirou aliviado. Agora, sim, podia, como um cidadão, ir e vir com o ganha-pão diário. “Houve um caso de um rapaz que tentou entrar com o instrumento e não conseguiu porque o tamanho excedia o nosso regulamento. Ele entrou em contato com o metrô e mudou essa regra”, contou o recepcionista, sem saber que Gabriel era o protagonista dessa história.

Até chegar a esse momento, nenhum contrabaixista podia viajar nos metrôs de Brasília. O fato parecia absurdo. Para o aposentado Camilo Sérgio, surreal. Ele, que sempre conviveu com o piano da esposa em sua sala de estar, espantou-se ao conhecer a saga que Gabriel Preusse cruzou para liberar o instrumento de trabalho no metrô. “É uma história digna de louvor, sobretudo, pela forma como ele conduziu.”

O menino Guildo (esquerda), aprendiz de escaleta, ficou extasiado ao ver o contrabaixo na estação: a sua família de ciclistas também usa o compartimento de grandes volumes do metrô

Nascido em Ipatinga (MG) e criado desde menino em Brasília, Gabriel Preusse faz parte de uma novíssima geração de brasileiros que põe a sete palmos nefastos conceitos sobre a imagem do Brasil, como a vergonhosa “lei de Gérson” (a de levar vantagem em qualquer situação). Desde que foi barrado e tratado de forma rude por uma funcionária do metrô, Gabriel Preusse abriu mão dos sentimentos individuais para buscar o direito coletivo dos instrumentistas. Compreendeu que a mulher furiosa, que via o instrumento de som divino como um trambolho, não tinha discernimento e cumpria cegamente a ordem de barrar volumes que extrapolassem a regra vigente. “Não quis culpá-la. Quando me sentei ao computador para mandar um e-mail para a Ouvidoria, queria que essa situação fosse resolvida do ponto de vista do coletivo”, lembra-se Gabriel.

A primeira mensagem foi pedagógica. Começava explicando a origem do contrabaixo acústico, com direito a fotos do instrumento numa orquestra erudita e numa performance de jazz, e terminava clamando pelos direitos dos contrabaixistas brasilienses de circularem livremente pelos vagões. Revelava ainda que, em São Paulo, ele não só viajou de metrô como também foi auxiliado por funcionários que o encaminharam para a rota mais acessível. “Recebi uma resposta burocrática, que fazia menção à lei que regulamentava o transporte de objetos e dava por encerrada a minha reivindicação”, conta Gabriel, músico profissional há 10 anos no DF e recém-formado pela Universidade de Brasília (UnB).

Se o problema era a legislação, Gabriel Preusse rebateu com uma à altura. Abriu a Lei Orgânica do Distrito Federal, baseada na Carta Magna do país, e enviou para o metrô o artigo terceiro, que lista os direitos do cidadão. Ao mesmo tempo, postou em sua página do Facebook um passo a passo sobre a história, que teve impacto e repercussão imediata. A socióloga Graça Ohana, mãe de um dos amigos músicos de Gabriel, ficou abismada com a narrativa inacreditável. Especialista em estudos de emprego e desemprego no país, ficou sem entender como um meio de transporte público moderno pode vedar a circulação de um instrumento que traz o sustento de uma pessoa. “Acompanhei a batalha dele e, num certo momento, sugeri que a gente poderia adaptar esse triste fato para uma história infantil, no formato de um livro, um curta-metragem ou uma peça de teatro. Sensibilizar as crianças sobre os seus direitos”, conta Graça, que agora desenvolve, com Gabriel, o embrião desse projeto.

Da rua, Gabriel começou a ouvir burburinhos sobre o tal “cara do contrabaixo,” que quer viajar de metrô e estava questionando a Ouvidoria. Recebeu a ligação de um amigo que testemunhou funcionários de uma estação comentando sobre o fato. Foi até parado na rua por pessoas que receberam o compartilhamento do post no Facebook. De alguma forma, a fé em resolver essa situação tinha aumentado. Até a Ouvidoria do metrô tinha ligado para pedir mais esclarecimentos. “De repente, recebo um novo telefonema comunicando que eu, Gabriel Preusse, tinha autorização para embarcar, sozinho e com meu violoncelo. Pô, é um contrabaixo!”

Gabriel não pensou duas vezes. Corrigiu o lapso semântico da funcionária e mandou a mensagem: “Quero deixar aqui registrado que a minha reivindicação é por uma causa coletiva. Por melhoria dos transportes públicos e melhores condições de mobilidade urbana na capital federal.” O desfecho viria com a decisão do departamento jurídico do metrô, que autorizou, sem restrições de horário, a viagem dos contrabaixistas no último vagão do trem desde que acondicionado adequadamente. Assim, desde 8 de abril de 2013, a história foi reescrita e coube a Gabriel Preusse dar um outro fim.

José Victor Carvalho aprova a decisão do metrô em permitir o acesso dos músicos com instrumentos, mesmo grandes: ‘Deveria ter música ao vivo nas estações’, sugere José Victor Carvalho aprova adecisão do metrô em permitir o acesso dos músicos com instrumentos, mesmo grandes: “Deveria ter música ao vivo nas estações”, sugere.

José Victor Carvalho aprova a decisão do metrô em permitir o acesso dos músicos com instrumentos, mesmo grandes: "Deveria ter música ao vivo nas estações", sugere

Barrados na roleta

O metrô tem regras para embarque e conduta. Objetos com volumes superiores a 150 x 60 x 40 cm não podem embarcar. Por isso, o contrabaixo acústico estava proibido. Passam livremente bicicletas não motorizadas, que devem embarcar no último vagão, cadeiras de rodas, carrinhos de bebê. Um funcionário da Estação Shopping conta que um usuário tentou entrar com uma máquina de lavar zerada e tirada da loja a preço promocional. Animais também são barrados, até os pets acondicionados em gaiolas de transportes. A exceção é para o cão-guia. É proibida a entrada de produtos inflamáveis.

Música no metrô

Quando o menino Guildo correu para ver de perto o contrabaixo acústico, o pai Silvio Caires admitiu: “Pensei que fosse um violoncelo”. A confusão entre os dois instrumentos no Brasil é pertinente pela falta de conhecimento da grande parte da população, desacostumada, sobretudo, com os concertos de música erudita. À primeira vista, os instrumentos da subfamília dos violinos até podem ser parecidos, mas as dimensões afastam qualquer semelhança. O contrabaixo acústico tem em média 1,82 metro, enquanto o violoncelo, pouco mais de 1 metro.

O instrumento de Gabriel Preusse está presente tanto em orquestras eruditas como em formações da música popular, sobretudo, o jazz. No Brasil, compõe o naipe de instrumentos de grandes artistas da MPB, a exemplo de Maria Rita. O contrabaixo acústico pode ser tocado com o músico em pé ou sentado num banco especial, por meio de um arco ou beliscadas de dedos (movimento conhecido como pizzicato, muito usado para formações em jazz).

Enquanto aguardava para embarcar no metrô, Gabriel Preusse sanou as dúvidas do servidor público José Victor Carvalho. “Quando vi, achei que era um violoncelo. E o Gabriel me deu uma aula de música e de vida. Estou feliz com essa decisão sensata de deixar o músico embarcar com seu instrumento de trabalho. Aproveito e mando um recado ao metrô do DF. Ponha música ao vivo nas estações. A viagem vai ficar mais saborosa”, sugere.

Exemplo para o Rio

A vitória coletiva de Gabriel Preusse repercute no Rio de Janeiro, onde os contrabaixistas estão proibidos de viajar desde 2008. Os músicos foram mobilizados pelo professor de contrabaixo da UnB Alexandre Antunes, mestre de Gabriel. Ele mandou a história para os artistas fluminenses como um exemplo motivador. “A questão do Rio de Janeiro é o colapso de passageiros. Os trens não dão conta de tanta gente. Mas estamos tentando sensibilizar o metrô. Isso implica uma perda para o trabalhador, que não pode se deslocar com facilidade com um instrumento tão grande, o que encarece até o cachê”, observa Alexandre. Durante a campanha de Gabriel Preusse na internet, surgiu até uma charge de um ilustrador, que desenhou um contrabaixista equilibrando o seu instrumento numa bicicleta, unindo, dessa forma, a busca dessa geração por uma mobilidade sustentável nos grandes centros urbanos.

A força no Facebook

Desde que iniciou a batalha para os contrabaixistas entrarem no metrô, Gabriel Preusse
mobilizou as redes sociais. Foram mais de 500 interações entre usuários que curtiram,
comentaram e compartilharam dois posts. “Agradeço demais a força de todos.
Foi apenas uma luta por direitos coletivos que estavam sendo esquecidos”, ressalta Gabriel. ”

Comentários:


PROPOSTA: trabalho intensivo visando aprimorar técnicas de estudo:
sessões de trabalho coletivo de manhã com escalas e técnica de arco e de mão esquerda

Participação de Beto Vianna, doutor em contrabaixo pela Universidade de Illinois, que fará um trabalho sobre trechos orquestrais:

orientações e estudo sobre trechos e soli do repertório em aulas individuais e em formação de naipe.
Repertório:
- 5a sinfonia de Beethoven
- Sinfonia 40 de Mozart
- 2a sinfonia de Brahms
- 4a sinfonia de Tchaikovsky
- Guia da orquestra para juventude de Britten
- Vida de herói e Dom Juan de Strauss

-aulas individuais diárias para solucionar dúvidas sobre repertório solístico e preparação para concursos e recitais

-sessões de alongamentos e respiração

-ensino do contrabaixo para crianças e iniciantes

-realização de peças para conjunto de contrabaixos, em todos os níveis

-assessoria de Paulo Ramos sobre luteria.

Tibô Delor, francês, ex-integrante da Orquestra da Ópera de Paris e de “L’Orchestre de Contrebasses”, contrabaixo solo convidado da OSB do Rio de Janeiro, foi 1o contrabaixista das orquestras: Sinfônica Municipal de Campinas, Sinfônica da Radio-Tv-Cultura de São Paulo; é fundador da “Orquestra de Contrabaixos Tropical”, diretor musical da Oficina de Cordas de Campinas, professor convidado da ECA-USP de Ribeirão Preto, Diretor artístico e regente da Orquestra Jovem Sinfônica da Educação de Campinas. Desenvolve recitais no Brasil em duo com o pianista Fabio Luz, e na Argentina com o projeto EcTA ( http://ecta-escueladecontrabajoambulante.blogspot.com/ ) através de recitais e cursos em diversas cidades (San Juan, Córdoba, Buenos Aires, Baia Blanca e Rosário).

LOCAL: Sitio Jataí, com agradável espaço bucólico que oferece estrutura de alojamento e refeição para até dez pessoas, espaço para aulas e estudo individual, área para passeios e diversão, esporte, piscina e lareira , num ambiente associativo à uma hora de São Paulo.

PREÇO: R$800,00 por 4 (quatro) dias em dois períodos, manhã e tarde (carga horária de 7 horas diárias), incluindo alojamento, café da manhã, almoço, lanche e jantar, comida caseira, ambiente aconchegante.

INSCRIÇÃO Depósito da metade do valor, R$400,00, na conta bancária de Paulo Ramos de Oliveira:
Banco Itaú 341/ agência 0680 / conta corrente 41072-7
e envio de Email para Tibô Delor: tibodelor@hotmail.com

INFORMAÇÕES: – Tibô Delor, tel (19) 3579-2568
ou – Paulo Ramos: (11) 4031-1447 / (11) 9535-6482

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