Postagens de novembro 15th, 2011


Na calada do dia ou da noite, você se tranca com o contrabaixo no quarto para estudar e coisas estranhas começam a acontecer: aquela mão esquerda que você achava linda e dócil some, para dar lugar a um monstro duro e ossudo a cada vez que você encosta no contrabaixo…
Por mais que você estude e leia métodos, nada de achar o antídoto!…
Para evitar que a sua linda mão esquerda de repente vire monstro no contrabaixo, é importantíssimo aprender a diferenciar o uso da força, do uso de peso do corpo.
Gostaria antes de esclarecer que a força tratada neste texto é aquela em que você acrescenta esforço físico para pressionar as cordas do contrabaixo, e causa tensionamentos e/ou dor, tanto durante a ação, quanto após a mesma.
Essa força necessita do peso do corpo para exercer sua ação sobre as cordas, para pressionar as cordas. O peso do corpo não necessita de força para exercer sua ação sobre as cordas (pressionar as cordas), e é esse peso que utilizamos para tocar o contrabaixo.
Faça um pequeno teste para sentir a diferença entre peso e força: chegue agora a sua mão esquerda para a beirada da sua mesa do computador e deixe-a com a palma da mão voltada para a mesa, como se ela fosse uma tartaruga a observar a vida. Não precisa chapá-la na mesa. Deixe o cotovelo bem solto, próximo a seu corpo.
Agora, aproxime a sua mão direita da sua tartaruga feita de mão esquerda e faça-a pular em cima da sua mão direita, ou seja, jogue-a em cima dela, mantendo-a tão descansada a observar a vida como estava antes.
O nome disso que deixa a sua mão tranquila tanto em cima da mesa, quanto em cima da outra mão, se chama peso do corpo, e não força bruta.
Se você quiser, aproveite para levantar cada dedo da mão esquerda com a mão direita. Você pode aproveitar também para afastar um pouco os dedos para os lados, pois você precisará disso mais tarde.
Com isso, pode até parecer que os dedos estão leves demais, mas esse peso é mais do que suficiente para pressionar uma corda, ainda mais depois que você passar a utilizar todo o peso do braço de forma mais completa, junto com o peso do corpo para fazer isso.
O peso do seu corpo só necessita da ajuda de uma força para pressionar as cordas: a da gravidade.
Agora, a sua mão vai “acordar” e passará de tartaruga a monstro: faça força com ela em direção à mesa. Para piorar o quadro, e ficar mais parecido com o uso da força no contrabaixo, passe o polegar para baixo da mesa e “segure” a mesa com força. Relaxe e lembre-se da tartaruga novamente. Intercale mais uma vez as duas fases da mão, antes de passar para o contrabaixo.
Tente fazer com que a sua mão no contrabaixo consiga observar a vida em cima da primeira corda (sol), porque ela é a mais fina e combina melhor com uma tartaruga.
Não tem problema se os dedos ficarem grudados uns nos outros como arroz empapado. O que importa agora é entender a diferença entre a pressão exercida pelo uso do peso do corpo e a pressão exercida com o uso da força. Depois, você procura a perfeição. Até a rima vem antes disso.
Depois de relaxar bem a mão esquerda, faça-a virar monstro e pressione-a em direção à corda, se possível com uma força média, para não se machucar. Aí, passe o polegar para baixo do braço e agarre o braço. Relaxe e lembre-se do paraíso das tartarugas, praia, sol, mar, férias e coloque a mão de novo no contrabaixo. Intercale as duas fases uma ou mais vezes, até você entender bem a diferença entre postura com o uso do peso e a postura com o uso da força.
Depois que você tiver fixado bem essa diferença, é hora de manter a mão esquerda na corda gradativamente, procurando sempre aumentar o tempo da mão relaxada e diminuir o tempo de mão tensa.
Comece fazendo isso por dois segundos. Relaxe e recomece por mais dois segundos. Faça uma série com quatro repetições de dois segundos. Relaxe por 2 minutos e recomece a série com quatro repetições de três segundos. Só volte a repetir estas séries no seu próximo turno de estudo (manhã- tarde- noite).
Faça estes exercícios por uns três dias e daí, passe a fazer uma série com quatro repetições de três segundos e depois para a série com quatro repetições de quatro segundos.
Quando a mão estiver “nos trinques”, é hora de afastar os dedos e adaptar a forma da mão a uma das técnicas de dedilhado (1-2-4 ou 1-3-4 ou 1-2-3-4), lembrando que o peso do corpo sobre o contrabaixo continua o mesmo, o relaxamento da mão continua o mesmo, e que a única coisa que muda é o afastamento dos dedos, que você já fez lá trás – na época que a sua mão ainda era uma tartaruga-, e viu que não precisava tensionar nada ao mexer nas “patinhas” da sua tartaruga. Continue sempre assim.
E aí descobrimos que o antídoto para a sua história do contrabaixista e o monstro é a conscientização sobre o uso do peso e da força, e muita ginástica anti-monstro para a mão esquerda ficar forte… e relaxada!

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Um dia, o contrabaixista Lebre encontrou o contrabaixista Tartaruga num ensaio, e aproveitou para implicar o quanto pode com o seu passo lento e seu jeito disciplinado de encarar a vida contrabaixística.
- Mesmo sendo tu quase tão veloz quanto um violinista estabanado, ainda vou ganhar-te num concurso! – respondeu o contrabaixista Tartaruga pacientemente.
O contrabaixista Lebre, pensando que tal era impossível, aceitou o desafio.
Como havia um concurso para uma orquestra em andamento, combinaram então que ambos se inscreveriam nele.
No dia combinado do concurso, os dois se encontraram com o pianista acompanhador e partiram para a performance.
O contrabaixista Tartaruga começou a tocar uma música não tão rápida e de forma equilibrada, nunca parando pelo caminho, até o fim da partitura.
O contrabaixista Lebre largou desembestado numa música virtuosística, perdeu o tempo da música, trocou o ritmo, tropeçou, embolou as notas, até que parou no meio execução para procurar pelo pianista, que tinha ficado lá no meio do caminho…
Quando voltou a tocar, recomeçou a correr o mais rapidamente que pode, para recuperar o tempo que ele achava ter perdido. 
Mas já era tarde… 
Na hora do resultado, o contrabaixista Lebre soube que o contrabaixista Tartaruga tinha ganhado o concurso e que já estava a descansar confortavelmente sobre os elogios e apupos da banca e do público.
Moral da história:
Devagar, mas com persistência, continuará os estudos contrabaixísticos e a Música, e terá a chance de fazer boas escolhas contrabaixísticas.
Esta fábula contrabaixística é baseada num fato real, que presenciei durante um curso dado pelo grande contrabaixista italiano Franco Petracchi, aqui no Brasil.
Nele, quase todos os contrabaixistas executantes optaram por tocar peças difíceis.
Ao fim do curso, Petracchi comentou que os contrabaixistas deveriam escolher peças adequadas ao seu nível no instrumento, para evitar perda de tempo.

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