Texto extraído do site http://www.orm.com.br/amazoniajornal, de Filipe Faraon


Presas do CRF substituem o ócio pelas aulas de violão 
Aulas de música ajudam presas a se ressocializar no Centro de Recuperação Feminino (CRF), presídio para mulheres localizado em Ananindeua. Pelo projeto, chamado Sala de Cordas, mulheres condenadas à prisão apresentaram duas músicas no 24º Festival Internacional de Música do Pará, no dia 21 de agosto. Basta participar das aulas de violão para ter diminuída a pena. E mesmo assim ainda há mulheres que preferem o ócio.
É unânime a opinião de que detentas que estudam ou trabalham passam a ter melhor comportamento dentro da cadeia. E melhor, multiplicam a possibilidade de não repetir o crime quando voltarem à liberdade. Também é ponto comum afirmar que só deixa de estudar na prisão quem quer.
A ideia do violonista e compositor Gil Barata, funcionário da Superintendência do Sistema Penal (Susipe), de dar aulas de música é apenas mais uma opção de atividade educativa para as detentas do CRF.
“Isso com a vantagem de trabalhar com a música, que por si só é terapêutica, ajuda o ser humano a crescer”, argumenta o professor.
Sua ideia foi acatada pela direção da Susipe em 2008 e, com violões emprestados da Fundação Tancredo Neves, começou com um grupo de mais ou menos 20 mulheres, das quais apenas três tinham alguma noção sobre o instrumento.
Com a troca de governo, no início deste ano, os instrumentos tiveram que ser devolvidos e a superintendência comprou 10 violões para o projeto Sala de Cordas. Só que o processo demorou alguns meses, período em que as aulas ficaram suspensas.
Gil Barata, junto com o músico contrabaixista Iran Tchackal, chegaram a lecionar para 48 internas do CRF. Hoje, com a volta do projeto, há seis meses, existem 30 alunas aprendendo os primeiros acordes. Nove das que conseguiram habilidade mais rápido de execução do violão foram escolhidas para representar o presídio no 24º Festival Internacional de Música do Pará, no dia 21 de agosto, na praça da República. Elas apresentaram duas músicas, acompanhadas de uma percussionista, 10 vozes do coral e duas dançarinas. O convite partiu da Fundação Carlos Gomes, organizadora do festival, para que as detentas mostrassem o que haviam aprendido até então.
O projeto Sala de Cordas já funcionou em outras duas casas penais do Estado: no Hospital Penitenciário de Americano, em Santa Izabel, e no Centro de Detenção Provisório de Icoaraci. Hoje, está apenas no CRF, mas a ideia da Susipe é voltar a expandir para outros locais. Segundo o superintendente da Fundação Carlos Gomes, Paulo José Campos de Melo, a instituição deve fazer outras parcerias com a Susipe, entre elas a que prevê a instalação de uma pequena manufatura de instrumentos musicais.
TJE deve voltar a ajudar nas aulas do centro

A pequena fábrica deve funcionar no Centro de Recuperação Feminino, em uma ala que está em obras. Uma das salas será usada para a fabricação de violões, enquanto que as outras cinco, com acústica adequada, receberão as aulas não só de violão, mas também de flauta, contrabaixo e percussão, instrumentos que serão comprados ainda neste ano. Atualmente as alunas aprendem em um pátio, de forma improvisada.
O Tribunal de Justiça do Estado (TJE), antigo parceiro do projeto, deve voltar a ajudar nas aulas de instrumento no CRF. Arte-educador do tribunal, Abiezer Monteiro garante que até setembro serão gastos R$ 127 mil para compra de vários instrumentos, entre os quais contrabaixo, flauta, teclado e violões. A ideia, diz Abiezer, é ajudar a expandir o projeto para outros presídios de Belém e do interior do Estado. Até setembro, o TJE também deve custear três bolsas de R$ 600,00 por mês, para pagar mais professores de música.

Foi por meio de parceria com o TJE que surgiram o coral e as aulas de flauta, no ano passado. O coral que se apresentou no festival, no dia 21 de agosto, tem remanescentes desse primeiro grupo. “A gente entende que música é importante como forma de escape e conforto para as detentas. Funciona como uma terapia, por isso vale todo o investimento”, afirma o arte-educador. (…)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

« »