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O Blog da Voila Marques e o canal do blog no Youtube recomeçam agora suas atividades, depois de um longo e tenebroso inverno contrabaixístico!

As “A-B-C-Dicas de Contrabaixo” terão agora postagem semanal, as entrevistas do “Fala Baixo” serão mensais e os textos no blog serão semanais também.

Inscrevam-se no canal, curtam e compartilhem, ok?
Participem! In-te-ra-jam!
Beijocas contrabaixísticas

Agradecimentos contrabaixísticos: Guilé Santos e Gabriel Ramos

Coordenadas contrabaixísticas:
Blog da Voila Marques: www.voilamarques.com
Canal do Youtube: www.youtube.com/user/BlogVoilaMarques
Facebook: www.facebook.com/VoilaMarques/
Contato: contato@voilamarques.com

VAMOS AJUDAR O RODRIGO VARANDA?

 

Coleguitos e coleguitas dos graves fofosos e da mão esquerda fofilda,

Aqui vai o link da minha palestra “Noções de Postura e Etiqueta para Mão Esquerda Mal-Educada”, feita no I Congresso Nacional de Contrabaixo Online, evento que contou com mais de 3.000 contrabaixistas inscritos, em 2014.

Agradecimentos: Manassés Moreira, contrabaixista e idealizador do ConaBass;
Daniel Salgado e Cláudio Cuoco, do Ship Room Estúdio (tel: 21-99677-8621 https://shiproomestudio.wordpress.com)

https://youtu.be/kWSgh5q9VOU


Coleguitos e coleguitas,

Devido às dificuldades de acesso às bibliotecas (obras, mudanças, greves, etc), a pesquisa acadêmica do contrabaixista e amigo Tarcísio José da Silva precisou mudar de foco.
Agora, ele escreverá sobre a trajetória musical do grande contrabaixista e professor Sandrino Santoro, e eu continuarei dando uma ajudinha na pesquisa.
Se vocês tiverem história, dado e/ou fatos importantes e/ou interessantes sobre ele, por favor, enviem por escrito ou enviem a história (fato, dados, etc) gravada em áudio/ vídeo, para contato@voilamarques.com, ok?

Abraços contrabaixísticos



Muito sucesso contrabaixístico para o nosso grande colega e contrabaixista Alexandre Rosa, que autografará seu livro “Técnicas Estendidas do Contrabaixo no Brasil”, editado pela Unesp, nesse sábado, dia 26/09/2015, na Loja Clássicos!

Este trabalho complementa o CD BASS XXI lançado em 2014 e traz ainda uma revisão de literatura e a aplicação pedagógica das técnicas estendidas.
Horário: de 15h às 19h
Local: Sala São Paulo – São Paulo/ SP

“Sabe-se que o contrabaixo acústico é um instrumento de grande expressão no meio artístico brasileiro tanto na música popular como na música de concerto. Apesar disto, as publicações brasileiras sobre o instrumento não conseguem suprir a crescente busca por informações mais aprofundadas por parte de estudantes e profissionais, o que por si só seria justificativa para a publicação deste livro. Contudo, Alexandre Rosa foi mais além. Ele desenvolveu um trabalho que não apenas traz informações sobre as questões idiomáticas do contrabaixo, mas também apresenta uma visão pedagógica das técnicas estendidas (ou não convencionais) e as discute e aplica em obras de cinco compositores (quatro brasileiros e um português radicado no Brasil). O trabalho fica ainda mais completo quando o autor disponibiliza as gravações das obras em CD (2013) fechando um ciclo completo na pesquisa em performance musical onde se tem processo e produto registrados com efetividade. A experiência de ler o trajeto percorrido pelo autor no livro, complementada pelo registro sonoro. Acredito que o leitor vá se encantar com a qualidade da pesquisa, com a paixão do autor pelo contrabaixo e pela música, explícitos em cada linha deste livro. Boa leitura!”
(Sonia Ray, 2014)

Caros colegas contrabaixistas,

Estou ajudando o amigo e contrabaixista Tarcísio José da Silva numa pesquisa acadêmica sobre solos de contrabaixo executados nas principais salas de concerto do Rio de Janeiro, de 1985 a 2015.
Gostaria de saber se vocês poderiam nos ajudar com os programas de seus solos com orquestras e/ou grupos de câmera (duo, trio, quarteto, etc).

Precisamos somente dos programas impressos (em PDF ou que possam ser disponibilizados para cópia).
Podemos contar com a ajuda contrabaixística de vocês?

Obrigada e beijocas cbxtks,
Voila
contato@voilamarques.com

O grande contrabaixista Marcos Machado estará fazendo uma série de recitais pelo Brasil com o pianista Ney Fialkow. No flyer acima, estão todas as datas e cidades. Grátis!

Apareçam, convidem os amigos e inimigos e, por favor, ajudem na divulgação do evento contrabaixístico, infelizmente, cada vez mais raro aqui no Rio, a ainda raro em todo o Brasil!…

No Rio de Janeiro:
Data: 15/06/2015, segunda-feira
Palestra: 10h
Recital: 20h
Local: UniRio (Instituto Villa- Lobos, Sala Villa-Lobos)
Endereço; Av. Pasteur, 436 (fundos) – Urca
Entrada franca

Palestra “Tao of Bass”, com Marcos Machado
Lançamento do livro “Tao of Bass” de Marcos Machado.
“Este livro é o resultado de cerca de 15 anos de estudos e análises de técnicas avançadas do contrabaixo.
Serão abordados temas como articulação/coordenação/resistência; pivots; técnica avançadas de capotasto, e a aplicação destas em repertório solo e orquestral.”
Entrada franca
________________________________________________________
Recital de Lançamento do CD de Marcos Machado e Ney Fialkow
No programa, obras de L. Boccherini, Henrique Oswald, L.V. Beethoven e Frank Proto.
Entrada franca

Marcos Machado – contrabaixo

Marcos Machado desenvolve carreira internacional atuando como solista, professor e músico de câmara. Reside nos Estados Unidos há 19 anos onde é professor de contrabaixo erudito e jazz na University of Southern Mississippi desde 2005. É primeiro contrabaixo da Meridian Symphony e Gulf Coast Symphony e membro do USM Jazz Quartet. Fundador do Southern Miss Bass Symposium, em sua 6a edição nos Estados Unidos. Marcos aperfeiçoou-se em Paris com François Rabbath, considerado o mais importante contrabaixista da atualidade. Marcos é o único sulamericano que recebeu os diplomas de Performance e Professor pelo Rabbath International Institute. Sua formação em contrabaixo teve início com Milton R. Masciadri (1931-2009) na Escola da OSPA, continuando os estudos nos Estados Unidos na UGA com o Dr. Masciadri. Marcos é doutor em música (DMA) pela University of Illinois em Urbana-Champaign com o prof. Michael Cameron. O virtuosismo de Marcos tem atraído a atenção de muitos músicos, em especial do compositor americano Frank Proto que o descreveu como “brilhante”. Performances recentes incluem a estréia mundial da “Sonata para contrabaixo” de Frank Proto na Convenção Bienal da International Society of Bassists (ISB). Frente à Orquestra Eleazar de Carvalho, fez a estréia mundial do Concerto para contrabaixo do compositor Arthur Barbosa. Em 2014, Marcos Machado foi artista em residência do Conservatório Nacional de Música em Lima, Peru. Machado já realizou diversas turnês pela Itália, França, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Brasil, Uruguai, Argentina e Peru. Já se apresentou no Montreux Jazz Festival (Suíça), Vienne Jazz Festival (França), Victoria Bach Festival-Texas, Bonneville Chamber Music Festival-Utah, Premier Music Festival-Mississippi, FestivalSouth, Northern Lights Music Festival-Minessota, Spoleto Festival-South Carolina, Oficina de Música de Curitiba, FEMUSA-MG, FIMMA-CE, Festival Internacional de Música Unisinos, Encontro de Cordas da Amazônia-PA, Festival SESC Pelotas, South Carolina Chamber Music Festival, Raymi Bass – Festival de Contrabajo (Lima, Peru), MUNASP, Festival Internacional Música na Serra-SC, Festival Música nas Montanhas-MG, etc. Marcos é um músico versátil e confortável em vários idiomas. Tem trabalhado com respeitados compositores, entre eles Frank Proto, Lewis Nielson, Tarik O’Regan, Rudolf Haken, Craig Hella Johnson, George Crumb, Charles Wuorinen e Tristan Murail. Contrabaixista convidado do grupo de Câmara Conspirare sob a regência de Craig Hella Johnson, nomeado cinco vezes ao Grammy. Com esse grupo gravou obras do compositor inglês Tarik O’Regan no famoso Music Hall do Troy Savings Bank, em Nova Iorque, com o prestigioso selo Harmonia Mundi. O CD—Threshold of Night, foi lançado em 2008 e indicado a dois prêmios Grammy. O CD “Conspirare in Concert”, gravado ao vivo no Long Center for Performing Arts em Austin, Texas, foi nomeado ao Grammy Best Classical Crossover Album. Em 2014, Marcos recebeu aprovação do sabático da University of Southern Mississippi, e dedicou seu tempo para finalizar o livro de técnica de contrabaixo e gravar um CD com o pianista Ney Fialkow. Ambos projetos serão lançados em 2015.

Ney Fialkow – piano

Premiado em diversos concursos, destacando-se o cobiçado título de melhor pianista do VII Prêmio Eldorado de Música, em São Paulo, os primeiros prêmios em diversos concursos nacionais e no exterior, o pianista Ney Fialkow é hoje um dos destacados músicos do cenário nacional. Tem conciliado movimentada carreira de solista e camerista com a atividade de professor do Instituto de Artes UFRGS, em Porto Alegre. Suas aparições como solista e camerista tem cativado plateias de diversas salas de concerto no Brasil e no exterior e suas masterclasses tem sido apreciadas por jovens pianistas de diversos países. Sob os auspícios do governo brasileiro, realizou formação em pós-graduação nos EUA, obtendo o título de Doutor em Música no Peabody Conservatory da Johns Hopkins University, Baltimore, onde foi assistente da célebre pianista Ann Schein, obtendo o prêmio Francis Turner por destaque em performance. Realizou também com distinção o Mestrado em Música no New England Conservatory, Boston, com Patrícia Zander. Em parceria com o aclamado violinista Carmelo de los Santos, lançou o CD “Sonatas Brasileiras” gravado ao vivo, tendo sido acolhido pelo público e crítica especializada como “um dos melhores registros que o Brasil produziu de sua música de câmera”, recebendo o prêmio de Melhor CD erudito do Prêmio Açorianos 2009. Em 2006 realizou concerto com o Trio Porto Alegre (Cármelo de los Santos e Hugo Pilger) no projeto “Copa da Cultura”, promovido pelo Ministério da Cultura do Brasil em Berlim, na Alemanha, com repertório dedicado à música de câmera brasileira. Em 2008, ao lado de Maria Alice Brandão, executou a obra integral de Beethoven para violoncelo e piano na Capela Santa Maria em Curitiba. Em 2010 participou como solista da estréia da obra “Mahavidyas” de Vagner Cunha e do CD da versão integral da obra lançado em 2010, obtendo o Prêmio Açorianos junto com a pianista Cristina Capparelli como melhores intérpretes. Neste mesmo ano a agenda incluiu apresentações no Festival de Musica de Ushuaia, concertos com a contralto Kismara Pessatti, um recital solo em Buenos Aires, e concertos na temporada oficial do Teatro Paulinia de SP e concerto de abertura do festival Villa-Lobos no Rio de Janeiro. Em 2011 sua agenda incluiu entre diversos compromissos a realização de concerto na Sala São Paulo com o violinista Moisés Bonella Em 2014 foi pianista convidado da III Semana Internacional de Música de Câmera do Rio de Janeiro, tendo também realizado turnê e gravação de CD com o aclamado contrabaixista Marcos Machado por diversas cidades norte-americanas. Ney Fialkow tem colaborado com importantes musicistas brasileiros e do exterior e atuado como solista de orquestras do Brasil, sob a batuta de Camargo Guarnieri, Isaac Karabichevsky, Roberto Tibiriçá, Roberto Duarte, e outros. Suas gravações incluem também o Diálogo para Piano e Orquestra de Bruno Kiefer com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, além de obras de Armando Albuquerque, Edino Krieger, Camargo Guarnieri, Flávio Oliveira, Luciano Zanatta e Vagner Cunha., “…sonoridade perfeita, fraseado harmonioso, dedilhado preciso e suave, marca registrada dos grandes pianistas” – O Estado de São Paulo, SP”…fervilhando brasilidade nos Ponteios de Guarnieri” – L’Alsace, França.

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(Promoção válida para aulas dadas até o dia 13/06/2015, somente para alunos novos, e não é cumulativa com qualquer outra promoção do Blog da Voila Marques) 

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contato@voilamarques.com

(Em resposta e agradecimento à mensagem de Emerson Louro, no Fórum Contrabaixo BR.)

- Tia, quero estudar contrabaixo, mas sou canhoto… E agora?
- Bem, primeiro leia o texto. Depois…

Talvez possa parecer polêmica a minha opinião sobre o assunto, mas sou radical neste quesito.
Penso que o estudo de um instrumento musical é uma questão de aprendizado e de condicionamento.

Quando comecei a estudar contrabaixo, mesmo sendo destra, se meu professor tivesse dito para eu apoiar o contrabaixo no meu lado direito e fazer o dedilhado no braço do instrumento com a mão direita, eu teria feito do mesmo jeito, até porque descobri ser ambidestra muito tempo depois.

Por ser uma coisa nova a ser aprendida, penso que qualquer pessoa possa fazer o mesmo.

O estudo do contrabaixo começa usualmente pela postura no instrumento, passando em seguida para a posição da mão esquerda, em que aluno passa a prender algumas notas com os dedos, com a mão parada numa mesma posição. Para emitir o som das notas, o aluno “belisca” ou “puxa” a corda com um ou dois dedos da mão direita, técnica que denominamos “pizzicato”.

Para prender a corda com a mão esquerda é necessário muito mais pressão do lado esquerdo do corpo do que do lado direito já que, durante algum tempo, o pizzicato da mão direita não deve ser feito com muita pressão, para não formar bolhas nas pontas dos dedos (o uso de mais pressão na mão direita na execução do pizzicato é gradativo, conforme os dedos passem a ter mais resistência às cordas).

Por conta desse “desequilíbrio” entre a pressão da mão esquerda e a pressão da mão direita, penso que deve ser muito mais cômodo para quem é canhoto entender e executar esse procedimento “destro” de ser.

Todos os canhotos que conheci, até hoje, fazem movimentos considerados destros, como escrever e ler da esquerda para a direita e dirigir carro da forma convencional.

Logicamente que, se antes de tocar contrabaixo, você passou anos tocando violão ou outro instrumento de cordas dedilhadas (guitarra, baixo elétrico, cavaquinho ou bandolim) ou de cordas friccionadas (violino, viola, violoncelo) com as mãos invertidas, será bem difícil uma readaptação das mãos no contrabaixo.

Aí, a “culpa” desta dificuldade não estará no contrabaixo, mas sim na forma que você aprendeu o instrumento que o precedeu, seja por autodidatismo, por desconhecimento, por achar que canhotos devem fazer tudo ao contrário, ou pelo que for.
Se você estiver inserido nesse “modelito”, aprender um outro instrumento como destro é algo pra lá de desestimulante e pouco produtivo, mas se você quiser mesmo isso, terá que ter muita concentração nos estudos e foco nos objetivos, certo?

Se já é difícil para muitos destros passar de um contrabaixo elétrico para um contrabaixo acústico – são instrumentos diferentes, certo? -, quiçá passar de canhoto para destro e em instrumentos diferentes…

Se me fosse dada a oportunidade de descrever o que para mim seria um inferno instrumental, garanto que não seria estudar oito horas por dia, ou tocar pizzicato com os dedos com bolhas de sangue estouradas em cada dedo da mão direita. Inferno instrumental, para mim, seria aprender outro instrumento de forma invertida (de canhoto para destro), depois de tocar um outro como canhoto, por tempo suficiente para automatizar os movimentos e ter fluência nele.

Escrevo isso por que, antes de tentar inverter as mãos, é importante frisar a qualidade de tempo que se tem ou teve com o instrumento tocado como canhoto. Uma pessoa que fez somente as primeiras lições, que estude muito pouco o instrumento ou que tenha pouquíssimo contato com ele, talvez ainda consiga inverter as mãos, não sem sacrifício, mas com o sacrifício menor do que quem já o toca há muito mais tempo. Sacrifício mesmo para quem não estuda é passar a estudar.

Agora, reaprender um mesmo instrumento de forma invertida (de canhoto para destro) não deve ser tão difícil quanto aprender outro instrumento de forma invertida.
Para escrever isso, fui pegar o meu contrabaixo com as mãos invertidas (de destro para canhoto). Pode não haver fluência no que faço, pois isso requereria muito estudo, mas não me pareceu ser algo “inaprendível”.

Para quem já toca o contrabaixo elétrico – com fluência – como canhoto, por exemplo, e quer passar para o acústico tocando da mesma forma -sem fazer adaptações de arcadas, por exemplo -, sugiro que siga uma carreira em que só haverá um contrabaixista de acústico no palco (se for o caso), se possível em música popular ou jazz, já que na música erudita dificilmente há somente um contrabaixista no palco, sem contar que é preciso ter experiência em orquestras ou em outras formações, exatamente para crescer profissionalmente, e um contrabaixista canhoto, que toque como canhoto sem nenhuma adaptação, vai “destoar” do conjunto, terá muitas dificuldades de adaptação ou mesmo poderá nunca ser chamado para trabalhos, exatamente por conta dessas “diferenças”.

Logicamente, se você tocar em uma orquestra com um contrabaixo acústico feito exclusivamente para canhotos e inverter as arcadas marcadas pelo seu chefae de naipe, a única diferença “visual” será apoiar o contrabaixo no seu lado direito. Só pense que essa é uma solução digamos “final” já que, antes disso, você terá que ter uma solução para fazer as aulas e para estudar, certo?

Eu não acredito que uma pessoa que nunca tocou um instrumento de cordas na vida possa ter dificuldades para aprender o contrabaixo da forma convencional, somente porque é canhota. Músicos precisam das duas mãos para tocar, e as funções de cada uma delas são fruto de estudo e condicionamento. Nada que não possa ser aprendido da forma convencional.

Inverter as cordas do contrabaixo requer também modificações na estrutura física dele, para sustentar a pressão inversa das cordas sobre o tampo, e limita o uso do instrumento em situações adversas.

Por exemplo: tocamos um instrumento grande, pouco portátil e, muitas das vezes, precisamos tocar no contrabaixo disponível no local, seja ele de colegas ou arranjado pela produção, etc. Isso acontece muito em viagens, já que transportar o contrabaixo exige uma infraestrutura cada vez mais difícil, como cases, negociações com companhias aéreas, especialmente se a viagem não for de ônibus.

As chances de você arranjar um contrabaixo acústico com as cordas invertidas são nulas. Como você vai fazer o show ou o concerto nessa situação? Não vai, não é mesmo?

Pense que em viagens, além de haver grandes chances de não levarem o seu contrabaixo, há chances até maiores do dono do contrabaixo não querer que você inverta as cordas, e chances de você nem chegar a ter tempo de invertê-las, porque isso demora tanto para fazer, quanto para o instrumento se adaptar à mudança, com riscos de som de lata e desafinações de cordas durante a apresentação.

Mas bem antes disso, como você fará para ter aulas? Levará toda semana o seu contrabaixo para a escola ou para a casa do seu professor? Complicado, cansativo e desestimulante.

Então você vai sempre levar o seu próprio contrabaixo para as aulas e/ou para os trabalhos? Ótimo. Só pense que, primeiramente, você precisará de um instrumento feito exclusivamente para você, com estrutura física interna adequada às inversões e não somente com as cordas invertidas.

Caso você pense em ter um contrabaixo em cada lugar – um em casa, um na escola, etc. -, bem, um contrabaixo feito por luthier não é baratinho e, caso você desista de tocar o contrabaixo acústico, pense que vendê-lo talvez seja algo muito complicado, uma missão quase impossível. Você não vai querer que aquele seu contrabaixo canhoto – pelo qual você pagou uma grana – vá servir de enfeite de parede, não é mesmo?

Depois, você precisará de carro ou de verba exclusiva para o táxi, já que precisará levar o seu contrabaixo a todas as aulas (uma ou duas vezes por semana). Quando você tiver ensaios, também precisará levar o lindo. Se os ensaios forem em orquestra sinfônica, lá vai você atrapalhar a hegemonia do conjunto!… Esse deve ser um dos poucos casos em que um elefante incomoda muita gente e um mesmo elefante incomoda muito mais…

Tive um aluno que não queria nada com o estudo do contrabaixo. Provavelmente, estudava música por imposição do pai. Faltou o suficiente para ser reprovado, não tinha contrabaixo em casa e não ia nem estudar no contrabaixo da escola.

Um dia, fui chamada à coordenação para tomar ciência de um documento em que o pai da criatura pedia a aprovação do filho, alegando que ele “sentia dificuldades em acompanhar as aulas, por ser canhoto e as cordas do instrumento não estarem invertidas”.

Respondi que, numa escola de música era impossível ter um contrabaixo exclusivo à disposição de um aluno, assim como era impossível inverter as cordas do instrumento a cada início e fim de aula do menino.

Aleguei também que o aluno sequer estava fazendo uso da mão direita com o arco, já que ele ainda estava estudando somente o dedilhado inicial da mão esquerda (exatamente a mão que os canhotos têm mais controle) com pizzicato na mão direita. Perguntei se para aprender a dirigir ele tiraria carteira de habilitação na Inglaterra.

Mesmo assim, fui “aconselhada” pela coordenação da escola a aprovar o monstrinho, para “evitar problemas”…

Não conheço, mas deve existir quem tenha solucionado o impasse de ser canhoto sem inverter as cordas, somente apoiando o contrabaixo do lado direito. Com isso, o dedilhado no braço do instrumento passa a ser feito com a mão direita e o arco e/ou pizzicato passam a ser tocados com a mão esquerda.

Se esta for a sua opção, ela criará alguns empecilhos se você tiver sonhos de ser um contrabaixista de orquestra ou de banda sinfônica, conjuntos que precisam de mais de um contrabaixista fazendo o mesmo tipo de movimento com o arco, e que primam por um “equilíbrio” auditivo e visual.

Assim – sem adaptação da escrita das arcadas – provavelmente, você terá que se sentar sozinho e na última estante, para haver mais espaço para a sua performance e para a performance dos outros, já que não haverá nenhum contrabaixista destro do seu lado direito, e você não ficará no lado esquerdo de ninguém.

Na orquestra, a direção do arco – se para a direita ou para esquerda – é marcada na partitura pelo chefe de naipe. Como você estará na estante sozinho, precisará marcar sempre as arcadas invertidas: senão, quando todos estiverem com o arco na mão direita, caminhando para a direita, do talão para a ponta, você estará com o arco na mão esquerda, caminhando com o arco para a esquerda e, mesmo que para você ele esteja sendo também tocado do talão para ponta, para quem assiste você estará tocando da ponta para o talão. Visualmente, isso daria a impressão de que os arcos do naipe estariam vivendo uma relação conturbada, com muito beijo, trombada e brigas, em que cada um vai dormir de cara virada para o outro…

Lembrei agora que, com aquela opção de cordas invertidas, você poderá também apresentar outras diferenças “estéticas” em conjuntos de contrabaixistas: quando houver passagens tocadas em uma só corda ou com movimentos ascendentes ou descendentes, enquanto todos os colegas estiverem numa corda aguda você, supostamente, estaria fazendo o mesmo desenho numa corda grave. Enquanto todos estiverem fazendo uma escala ou trecho musical com desenho ascendente da corda mais grave para a mais aguda, visualmente você estará fazendo o desenho da corda mais aguda para a mais grave.

Outra questão, frequentemente problemática dentro de uma orquestra, é a área necessária para que o contrabaixista toque sem esbarrar nos próprios colegas do naipe, assim como nos de outros instrumentos. Um contrabaixista canhoto, que tocasse somente invertendo o lado em que apoia o contrabaixo, necessitaria de uma área maior para tocar, já que seu arco caminharia em direção oposta ao dos colegas do naipe. Como isso dificilmente aconteceria dentro de uma orquestra, o contrabaixista teria que inverter todas as arcadas, para sempre tocar com o arco na mesma direção dos demais contrabaixistas. Desnecessário escrever que precisaria haver uma partitura exclusiva para o contrabaixista canhoto, pois quem se habilitaria a ler numa parte com as arcadas copiadas todas ao contrário?

No mais, volto a dar a minha opinião sobre este assunto: usamos as duas mãos fazendo movimentos distintos para tocar instrumentos de cordas. A divisão das funções das mãos no contrabaixo é uma convenção e, como tal, é para ser aprendida e treinada, independentemente se você é destro, canhoto ou ambidestro.

Essa convenção de tocar instrumentos de cordas (alaúdes, violas da gamba, etc.) com a mão esquerda fazendo a posição das notas no braço do instrumento, e com a mão direita dedilhando as cordas e/ou passando o arco nelas foi criada e desenvolvida através dos séculos, muito antes do desenvolvimento e propagação da leitura e da escrita, da descoberta das diferenças de utilização das mãos nas pessoas, e da descoberta das diferentes regiões do cérebro utilizadas para cada uma, assim como foi desenvolvida muito antes do extinto preconceito contra os canhotos, que por muito tempo existiu.

Acho que dá muito mais trabalho ser um canhoto “autêntico” do que tocar contrabaixo da forma convencional. Acabo de fazer um teste: pegue um caderno, e escreva com a mão esquerda, começando no fim da linha, da direita para a esquerda. Sairá assim: “oirártnoc oa odut revercse euq met êcoV”.

Eu me saí bem, mas acredito que você também se sairá muito melhor tocando contrabaixo!”

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